Início / Versão completa
MUNDO

Argentina: Fernándes e Kirchner vencem Macri em retomada da esquerda

Por YacoNews 28/10/2019 13:26
Publicidade

28 Out d 2019 do YacoNews
Do UOL

Publicidade


A Argentina foi às urnas neste domingo (27) e elegeu presidente o candidato de oposição, Alberto Fernández, em primeiro turno. Com 95,31% das urnas apuradas, Fernández registrava 47,99% dos votos, contra 40,48% de Mauricio Macri, atual presidente do país. O eleito terá como vice a ex-presidente Cristina Kirchner, que comandou o país entre 2007 e 2015. 

Nas primeiras palavras após a vitória, já reconhecida por Macri, Fernández aproveitou para pedir ao atual governo para que, quando passar à oposição, “seja conscientes do que deixou” e “ajude a reconstruir o país das cinzas”.

“Tomara que esse compromisso de diálogo que nunca tiveram passem a ter”, afirmou Fernández diante de uma multidão de simpatizantes no quartel-general de coligação Frente de Todos, no bairro de Chacarita, em Buenos Aires. O presidente eleito terá um encontro com Macri nesta segunda (28). 

A vitória da chapa de esquerda era esperada desde as eleições primárias, em 11 de agosto, quando superou a de Macri por 15 pontos percentuais.

Para vencer em primeiro turno na Argentina, basta que o primeiro colocado alcance 45% dos votos, ou 40% se a vantagem para o segundo candidato for de pelo menos 10 pontos percentuais.

Fernández é desafeto de Bolsonaro

 A vitória de Fernández e Kircher contraria a vontade do presidente brasileiro, Jair Bolsonaro (PSL), aliado de Macri. Ele já disse que não irá cumprimentar o argentino pela vitória.

 “Agora não vamos nos indispor. Vamos esperar o tempo para ver qual é a real posição dele na política. Porque ele vai assumir, vai tomar pé do que está acontecendo e vamos ver qual linha ele vai adotar”, declarou o presidente brasileiro.

Em agosto, Bolsonaro chegou a dizer que o Rio Grande do Sul poderia se transformar em “um novo estado de Roraima” se houvesse a vitória de Fernández, ligado à esquerda. Roraima faz fronteira com a Venezuela e sofre com o intenso fluxo de imigrantes vindos do país, que sofre com a crise econômica. 

O brasileiro chegou a afirmar, na semana passada, que a retomada da esquerda no país vizinho poderia colocar em risco o Mercosul bloco comercial fundado em 1991 por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. 

Fernández é um aliado da esquerda brasileira. Ele defende que Lula é um preso político e foi visitá-lo na prisão em julho deste ano, durante a campanha. Logo após as primárias argentinas, o presidente eleito argentino chamou Bolsonaro de racista e misógino.


Argentina enfrenta crise econômica e social 

Derrotado hoje, Macri herdou de Cristina Kirchner um país em ritmo acelerado de endividamento, com controle cambial e economia fechada. Ao assumir a presidência, no final de 2015, iniciou uma política econômica de menor intervenção estatal e prometeu zerar a pobreza, mas não conseguiu reverter o cenário de crise: o índice de pobreza na Argentina é o maior da década e a expectativa o FMI (Fundo Monetário Internacional) é que o país tenha inflação acumulada de 57% em 2019.

Ainda assim, Macri era visto como o candidato favorito do mercado financeiro. Em 12 de agosto, dia seguinte à derrota do liberal nas eleições primárias, o peso argentino desvalorizou 30% em relação ao dólar. Mauricio Macri chegou a anunciar um pacote de medidas intervencionistas para tentar recuperar a popularidade, mas não foi o suficiente. 

Para tranquilizar o mercado e credores internacionais, Alberto Fernández se comprometeu durante as eleições a não dar um calote nas dívidas públicas.

No discurso da vitória, o presidente eleito reassumiu o compromisso de cumprir todas as propostas que fez durante a campanha eleitoral, entre elas reativar a economia e gerar empregos como chaves para tirar o país da crise. “Daqui em diante só nos resta cumprir o prometido. Saibam os argentinos que cada palavra que demos e cada compromisso que assumimos foi um compromisso moral e ético sobre o país que devemos cumprir”, acrescentou. 

Fernández foi chefe de gabinete de Nestor Kirchner, ex-presidente da Argentina e marido de Cristina. Nestor faleceu em 27 de outubro de 2010. “Não seria justo que hoje não reconhecesse o que fez por nós e a enorme possibilidade que me deu”, afirmou Fernádez.


Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.