08 Dez de 2019 do YacoNews
Quarenta e três por cento dos brasileiros dizem que nunca confiam em afirmações do presidente Jair Bolsonaro e 37% declaram confiar às vezes, segundo pesquisa do instituto Datafolha divulgada hoje. O levantamento foi feito em escala nacional na quinta-feira, 5, e na sexta-feira, 6, com 2.948 entrevistas em 176 municípios. Para 28% Bolsonaro não se comporta como um presidente em nenhuma situação, mesmo percentual que afirma que, na maioria das vezes, ele se comporta de acordo com o cargo que ocupa. Vinte e cinco por cento dos entrevistados dizem que Bolsonaro se comporta adequadamente em algumas ocasiões, mas não na maioria. Quatorze por cento dizem que ele se comporta bem em todas as situações. O grupo mais favorável a Bolsonaro nesse item é o de pessoas com 60 anos ou mais e com renda entre cinco e dez salários mínimos. O Nordeste é a região mais crítica. A margem de erro da pesquisa é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.
Desde que tomou posse em janeiro, Bolsonaro dá ao menos uma declaração falsa ou imprecisa a cada 30 dias. Os piores meses foram os de agosto e setembro, com 20 afirmações total ou parcialmente incorretas, de acordo com levantamento do jornal Folha de S. Paulo. Numa fala à imprensa no dia 22 de setembro, por exemplo, Bolsonaro declarou que “(ter radares nas estradas) prejudica. Causa mais acidente, até”. Ao contrário do que afirmou o presidente, o número de mortes nas estradas brasileiras caiu nos trechos em que foram instalados radares. Um dos temas em que houve mais desinformação este ano foi o que envolveu as queimadas na Amazônia. No dia 30 de agosto, Bolsonaro usou uma rede social para dizer que “Segundo o SEAE (Serviço Europeu de Ação Externa), as informações de satélite do Sistema Copernicus demonstram que a área com queimadas no Brasil teve um decréscimo entre janeiro e agosto de 2019, levando-se em conta o mesmo período de 2018, o que prova o compromisso do nosso governo com a questão ambiental.” Após a postagem, o presidente não apresentou documentos ou dados para provar a informação. Pior: números do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão do governo brasileiro, indicaram que o país teve até o final de agosto 72.843 focos de incêndio, um aumento de 83% em relação ao mesmo período de 2018.
