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Bolsonaro sobre juiz de garantias: “Se te prejudica, não vota mais em mim”

26 Dez de 2019 do YacoNews


O presidente Jair Bolsonaro usou a live desta quinta-feira (26) para tentar aplacar as críticas ao juiz de garantias e negar a existência de um atrito com o ministro Sergio Moro. Ele disse que o saldo do pacote anticrime foi excelente e que Moro tem feito um trabalho excepcional. Porém, acabou perdendo a paciência ao contestar as críticas dos internautas que o chamaram de traidor por conta da decisão de deixar o juiz de garantias no pacote anticrime, apesar do apelo de Moro para que esse item fosse vetado: “Se vai te prejudicar, é simples: não vota mais em mim”.

“Se eu fizer 99 coisas a favor de vocês e uma contra, vocês querem mudar. Então, muda. Paciência. O direito é de vocês. E eu sempre agi assim. Lógico que estou preocupado com voto do eleitor, em fazer o bem para o próximo e em agradar. Mas eu não posso ser escravo de todo mundo. Muita gente defende o juiz de garantias. […] E nenhum juiz consegue, nos grandes processos de corrupção como os da Lava Jato, fazer todo o processo sozinho. Na 13ª Vara de Curitiba, por exemplo, não era só o Sergio Moro, era um batalhão de juízes”, emendou Bolsonaro.

O presidente ainda acusou muitos dos internautas, que nessa quarta-feira ajudaram a colocar a hashtag #BolsonaroTraidor nos assuntos mais comentados do Twitter, de estarem reclamando do juiz de garantias sem nem saber do que se trata. “Com todo respeito, 90% não sabe o que é um juiz de garantia e fica criticando”, afirmou.

Bolsonaro justificou essa acusação reclamando que esses mesmos eleitores não estavam elogiando os pontos que ele decidiu vetar do pacote anticrime – questões que, segundo o presidente, têm um impacto bem mais grave que o juiz de garantias. Ele citou como exemplo o veto ao artigo que aumentava a pena imposta a quem comete os crimes de calúnia, difamação e injúria na internet. Para Bolsonaro, esse artigo criaria uma espécie de censura na internet e, se não fosse vetado, poderia até levar para a cadeia muitos dos internautas que estão criticando o juiz de garantia nas redes sociais. “Veja o padrão dos itens que foram vetados… Não dão valor a isso. Ficam lá no negocinho… Ficam me esculhambando”, reclamou.

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“Não quero polemizar mais. Não tenho quero esticar essa situação. Mas o que me surpreende é um batalhão de internautas juristas, constitucionalistas para debater o assunto. Eu aceito críticas fundamentadas mas tem muita gente falando abobrinha. É 70% de esquerda e 30% é gente nossa, que votou em mim, mas está sendo levada pelo momento”, acrescentou Bolsonaro.

Razões do juiz de garantia

Apesar de ter dito mais cedo que nem sempre é possível dizer não ao Parlamento, Bolsonaro garantiu que não tinha feito nenhum acordo com os parlamentares para vetar o juiz de garantias. “É um absurdo, um contrassenso. […] Não tive compromisso nenhum. Não ajo dessa maneira”, reclamou.

“Não posso sempre dizer não ao Parlamento”, diz Bolsonaro

Por outro lado, garantiu que ouviu Moro ao sancionar esse projeto, apesar dessa discordância com o ministro em relação ao juiz de garantias. “O Moro tem feito um trabalho excepcional na Justiça. E eu ouço o Moro. Já discordei do Moro no passado, quando discutimos a questão do desarmamento. E ele sabe disso. Já discordei de outros ministros também. Mas acho que a taxa de concordância com os ministros é de 95%. […] O pacote anticrime… Tá um ruído grande. Falaram ‘traidor, se aliou à corrupção’. Mas o saldo foi excelente. A proposta do Moro está sancionada”, amenizou Bolsonaro.

Por fim, o presidente assegurou que a decisão de manter o juiz de garantias na lei que entra em vigor em 30 dias não foi motivada pela intenção de favorecer ninguém. Afinal, diante da discordância entre Moro e Bolsonaro, muita gente creditou a criação do juiz de garantias como uma tentativa de o presidente proteger o seu primeiro filho, o senador Flávio Bolsonaro, das investigações sobre corrupção que estão em curso no Rio de Janeiro.

“Me desculpe, mas não vou poder agradar a todos com tudo que faço, os projetos, as sanções, os vetos. Mas faço com a consciência tranquila. Não é para proteger ninguém. Fica aí a teoria da conspiração”, concluiu o presidente.


Veja como foi  a live de Bolsonaro nesta quinta-feira:

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