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Acusado de matar gamer no AC fez postagens antes do crime; Justiça aceitou denúncia contra ele

A Justiça do Acre aceitou a denúncia do Ministério Público contra Evan Cley Gomes da Rocha, que foi preso acusado de matar o jovem Carlos Antônio Coutinho de Souza, em novembro do ano passado, em Rio Branco. Um pastor que teria ajudado Rocha a fugir do flagrante também foi denunciado.

Carlos Coutinho era gamer e influenciador conhecido no jogo eletrônico Free Fire. Ele morreu depois de levar uma facada no pescoço enquanto voltava do trabalho em uma bicicleta, no bairro Vila Acre, região do Segundo Distrito de Rio Branco. Após levar a facada em frente a uma igreja, a vítima ainda correu cerca de 100 metros para pedir socorro.

As investigações apontaram que o crime foi motivado por ciúmes. Evan Cley foi preso no dia 8 de dezembro e, segundo a polícia informou na época, ele confessou crime e disse que foi após descobrir que tinha sido traído pela namorada com a vítima.

Na denúncia, o MP-AC diz que o acusado agiu por motivo torpe, o ciúme, e recurso que dificultou a defesa da vítima. Evan Cley teria pegado uma faca do seu trabalho e foi até o Ramal da Castanheira, que era trajeto da vítima, e, como forma de emboscada, a esperou e atacou com o golpe de faca.

Ainda segundo o Ministério Público, após o crime, o suspeito procurou a igreja que frequentava, contou o que tinha acontecido e o líder religioso Richarlison Lima dos Santos o ajudou a fugir do flagrante policial.

“Richarlisson, com a orientação de um familiar não identificado de Evan Cley, auxiliou o primeiro denunciado na fuga, levando-o à UPA do 2º Distrito, local onde Evan Cley foi pego por terceira pessoa também não identificada, objetivando frustrar a prisão em flagrante, ou seja, subtrair-se à ação da autoridade policial (o que de fato conseguiu)”, destaca a denúncia.

Na decisão em que recebeu a denúncia, a juíza Luana Campos, da 1ª Vara do Tribunal do Júri, deu um prazo de 10 dias para a defesa dos acusados responderem às acusações. O g1 entrou em contato com a advogada Elena Sobral, que faz a defesa dos dois denunciados, e ela afirmou que iria primeiro falar com as famílias dos dois para saber se vai se pronunciar sobre o caso.

Postagem nas redes sociais

Conforme relatório policial, ao verificar as redes sociais de Evan Cley, a Polícia Civil constatou que ele já estava planejando o crime. Postagens falavam sobre morte e “talaricagem”.

Em uma das postagens ele dizia “eu sabia que ela merecia mais e também sabia que não aguentaria a dor de ver ela ao lado de outra pessoa, então eu melhorei, melhorei para não perder ela (sic).”

Já em outra publicação, o jovem usa a imagem da boneca da série “Round 6”, com a legenda: “Imagina só se essa boneca fosse um tipo de detector de talarico. Minha quebrada tava extinta.”

Suspeita era de latrocínio

A suspeita inicial era de que o rapaz tinha sido vítima de um latrocínio. Isso porque a informação era que ele tinha tido a bicicleta roubado no ataque. Tanto que as investigações do caso começaram pela Delegacia Especializada de Combate a Roubos e Extorsões (Decore).

Mas, conforme a Polícia Civil, um levantamento feito pela Decore apontou que nada foi roubado do rapaz e que, portanto, não houve crime relacionado a latrocínio. O caso então passou a ser investigado como homicídio e o inquérito foi remetido à DHPP.

Populares informaram à Polícia Militar que o rapaz chegou correndo e todo ensanguentado em uma distribuidora relatando que tinha sido atacado. Ele informou ainda que deixou sua bicicleta jogada na rua e correu para tentar socorro.

Por conta do ferimento, o jovem não conseguiu contar em detalhes o que aconteceu durante o crime. Uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionada, prestou os primeiros socorros e levou Souza para o PS da capital. No entanto, segundo a equipe de saúde, o corte no pescoço atingiu grandes vasos e ele não resistiu e morreu no centro cirúrgico do hospital.

Grupos de Free Fire lamentaram morte

Vários grupos de Free Fire lamentaram a morte do rapaz, que era conhecido no jogo eletrônico como “Six Faczin”. A equipe que ele fazia parte “Six Eight” declarou, em nota divulgada na página oficial do Instagram, sete dias de paralisação nas atividades por conta do ocorrido.

Também em nota publicada no dia da morte, a equipe chegou a dizer que o rapaz Souza foi vítima de latrocínio enquanto voltava do trabalho. O g1 não conseguiu contato com a família do jovem.

Ainda segundo o grupo, o jovem tinha uma apresentação do jogo marcada para o final de dezembro e estava ansioso e que tinha vários sonhos. “Ele amava tanto essa organização que não tirava a camisa nem no trabalho.”

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