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REGIÃO

Comunidade indígena isolada é descoberta em Rondônia; aumenta o risco de contato

Por Cris Menezes 25/12/2024 10:45 Atualizado em 25/12/2024 10:48
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Um novo povo indígena isolado foi identificado nas florestas de Rondônia, de acordo com uma reportagem conjunta do jornal O Globo e do britânico The Guardian. Conhecidos provisoriamente como Massaco, esses indígenas vivem sem contato com o mundo externo e têm prosperado graças à política de não contato promovida pela Fundação Nacional do Índio (Funai). O sucesso dessa abordagem também é observado entre outras comunidades isoladas no Brasil, incluindo as do Acre e dos Moxihatëtëa, subgrupo Yanomami.

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No Acre, um estudo publicado em 2023 na revista científica Nature revelou que as plantações dos povos isolados na região cresceram 17% ao ano entre 2015 e 2022. Já os Massaco, em Rondônia, expandiram suas atividades, indicando crescimento populacional. Eles habitam o território indígena Massaco, com 421 mil hectares, protegido pela Funai desde os anos 1990.

Os Massaco utilizam técnicas sofisticadas para proteger suas terras. Armadilhas de estacas de madeira – capazes de furar pneus de tratores – são frequentemente encontradas próximas à base da Funai, um claro aviso para que invasores permaneçam afastados.

“O território foi o primeiro no Brasil reservado exclusivamente para populações isoladas e tornou-se um modelo de proteção sem contato direto”, explica Altair Algayer, veterano da Funai e líder no monitoramento dos Massaco.

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Pouco se sabe sobre a cultura Massaco, mas características únicas, como arcos de mais de três metros e a ausência de adereços como brincos e colares, distinguem o grupo. Especialistas suspeitam que eles tenham origem na Bolívia, devido a semelhanças com o povo Sirionó, mas a confirmação depende de estudos mais aprofundados.

Crescimento Populacional e Riscos

Estima-se que o grupo tenha entre 200 e 250 indivíduos, divididos em cerca de 50 famílias. Apesar do crescimento, o aumento da população e mudanças climáticas representam desafios, ampliando o risco de contato involuntário com o mundo externo.

Amanda Villa, do Observatório dos Direitos Humanos dos Povos Indígenas Isolados, ressalta: “Enquanto celebramos seu crescimento, é crucial garantir que as políticas de não contato sejam mantidas para evitar impactos negativos.”

As únicas interações confirmadas ocorreram por acaso. Em 2014, Paulo Pereira da Silva, agente da Funai, viu dois homens nus plantando estacas perto da base. O encontro, mesmo breve, evidenciou a determinação dos Massaco em evitar contato.

“A política de não contato é essencial para preservar sua autonomia e cultura. Esses povos são um exemplo de resistência na Amazônia”, conclui Algayer.

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