Início / Versão completa
Opinião

Com falsa candidatura, Felipe Neto expõe perigo do autoritarismo digital

Por Cris Menezes 04/04/2025 16:05 Atualizado em 04/04/2025 16:05
Publicidade

Felipe Neto, que já foi de vilão a porta-voz do bom senso nas redes sociais, voltou a causar nesta sexta-feira (4). Depois de anunciar — falsamente — sua candidatura à Presidência da República, o influenciador revelou que tudo não passou de uma campanha de marketing para divulgar o audiolivro “1984”, clássico de George Orwell, agora disponível na plataforma Audible.

Publicidade

A jogada foi arriscada, mas certeira: usando um discurso recheado de frases autoritárias e promessas distópicas, Felipe encarnou um personagem que flertava com o totalitarismo. Falou em controle da informação, rede social “Nova Fala” e centralização do discurso. Muita gente acreditou. Pior: muitos aplaudiram.

E é aí que mora o problema.

A ação, pensada para provocar reflexão, acabou expondo uma realidade incômoda: ainda há quem aceite — e até deseje — soluções fáceis e centralizadoras, mesmo que custem direitos e liberdade. O próprio influenciador ficou assustado com a quantidade de pessoas que não só não perceberam a ironia, como demonstraram apoio à falsa candidatura.

Publicidade

Em seu vídeo de esclarecimento, Felipe foi direto: “Tudo que eu falei é o oposto do que acredito. Se você acreditou, ou pior, se você gostou, talvez precise ler mais. A literatura é a maior arma contra o autoritarismo.” E tem razão. Num país onde a polarização contamina até o mais básico senso crítico, ações como essa servem de espelho — e o reflexo nem sempre é bonito.

A Audible escalou um time de peso para a versão brasileira de “1984”: Lázaro Ramos, Mateus Solano, Alice Carvalho e Milhem Cortaz dão voz aos personagens do livro. Com trilha sonora e ambientação dramática, o objetivo é aproximar o público de uma das obras mais importantes da literatura mundial — e mais urgentes de serem compreendidas.

No fim das contas, Felipe Neto não queria votos, mas leitores. E conseguiu mais do que engajamento: fez o país encarar, ainda que por alguns minutos, o risco de se deixar seduzir por ideias que deveriam causar repulsa.

Porque o autoritarismo nunca se apresenta como vilão. Ele se veste de solução.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.