Início / Versão completa
BRASIL

Justiça extingue ação de auxílio-maternidade a ‘mãe’ de bebê reborn e aciona OAB, PF e MPF para investigação

Por Queren Ramos 31/05/2025 21:09
Publicidade


A Justiça Federal decidiu extinguir, sem julgamento de mérito, a ação que solicitava o pagamento de auxílio-maternidade com base na posse de um bebê reborn — boneco hiper-realista que simula uma criança real. O caso, que rapidamente chamou atenção pela sua natureza incomum, resultou em encaminhamentos mais sérios: o juiz responsável oficiou a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Polícia Federal (PF) e o Ministério Público Federal (MPF) para investigar o episódio sob diferentes aspectos legais e éticos.

Publicidade

A mulher que moveu a ação alegava ter direito ao benefício destinado às mães após o nascimento de um filho, usando como justificativa a posse de um bebê reborn. O pedido foi formalmente apresentado por uma advogada e protocolado na Justiça, contendo supostos documentos comprobatórios, o que levou o magistrado a suspeitar de possível falsidade documental e ideológica.

Na decisão, o juiz afirmou que a situação expõe uma tentativa indevida de uso do sistema de seguridade social e que a petição, apesar de formalmente estruturada, carece completamente de respaldo jurídico, já que bonecos — por mais realistas que sejam — não podem ser considerados sujeitos de direito ou gerar obrigações por parte do Estado.

Diante da gravidade da situação, o juiz determinou que a Polícia Federal e o Ministério Público Federal sejam acionados para apurar se houve crimes de falsidade ideológica e documental. Já a OAB deverá analisar a conduta da advogada que patrocinou a causa, verificando se houve violação do Código de Ética e Disciplina da advocacia.

Publicidade

Para a Justiça, o uso do aparato judicial com pedidos infundados pode comprometer a credibilidade do sistema e gerar prejuízos à administração pública, além de sobrecarregar o Judiciário com demandas sem base legal. A atitude, segundo o juiz, pode representar mais do que apenas um equívoco interpretativo — pode configurar fraude e tentativa de obtenção ilícita de recursos públicos.

A decisão reforça o papel do Poder Judiciário na contenção de abusos contra o sistema de seguridade social e destaca a necessidade de responsabilidade por parte dos profissionais do Direito. A tentativa de conferir status jurídico a um brinquedo, ainda que com forte valor emocional, é considerada um desvio da função essencial da Justiça.

O caso, que inicialmente gerou perplexidade e até certo humor nas redes sociais, agora caminha para uma investigação séria, que pode ter desdobramentos criminais e disciplinares. A mulher que ingressou com o pedido e sua representante legal poderão responder, cada uma em sua esfera, caso as apurações confirmem a existência de dolo ou má-fé na formulação da ação.

O magistrado reiterou que a Justiça deve ser acessível a todos, mas também deve ser usada com responsabilidade e dentro dos limites legais. O episódio serve de alerta para a importância da ética na atuação profissional e do bom senso na formulação de pleitos judiciais.

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.