A Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou ao Supremo Tribunal Federal (STF) a prisão preventiva da deputada federal Carla Zambelli (PL-SP) e sua inclusão na lista de procurados da Interpol, após a parlamentar anunciar publicamente que está fora do Brasil. O pedido foi apresentado fisicamente ao STF nesta terça-feira (3).
Mesmo condenada a 10 anos de prisão em regime fechado e à perda do mandato, Zambelli deixou o país há alguns dias, segundo revelou em entrevista ao canal AuriVerde, no YouTube. A condenação foi resultado de sua participação na invasão ao sistema eletrônico do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), e a decisão do STF foi tomada após deliberação da Câmara dos Deputados.
“Eu queria anunciar que estou fora do Brasil. Já faz alguns dias. A princípio, buscando um tratamento médico”, disse a deputada, sem especificar sua localização. “Vou pedir afastamento do cargo”, acrescentou.
Zambelli afirmou ainda que está na Europa, onde pretende se estabelecer, e declarou possuir cidadania europeia. “Não é um abandono do país. É resistir. É voltar a ser a Carla que eu era antes das amarras que essa ditadura nos impôs”, afirmou. Ela prometeu “denunciar a ditadura” em todas as instâncias possíveis fora do Brasil: “Vou levar isso em todos os países da Europa, em todas as Cortes que a gente tiver acesso”.
A manifestação da PGR considera que a saída da deputada do país, sem autorização judicial, agrava o risco de fuga e compromete a execução da pena. A inclusão de Zambelli na lista da Interpol permitiria sua localização e eventual extradição, caso o STF aceite o pedido e determine sua prisão preventiva.
Com a condenação já publicada, Zambelli também se tornou inelegível por oito anos. Esse período começará a contar após o cumprimento da pena. A deputada ainda pode apresentar recursos, como embargos de declaração, mas a fuga ao exterior pode acelerar a adoção de medidas mais duras por parte do Supremo.