O Telescópio Espacial James Webb conseguiu capturar uma imagem inédita do famoso Aglomerado Bala, localizado a cerca de 3,7 bilhões de anos‑luz da Terra, na constelação de Carina.
Utilizando dados de lente gravitacional combinados com dados do Observatório de Raios X Chandra, pesquisadores identificaram estruturas antes desconhecidas e refinaram nossa compreensão sobre a matéria escura e eventos passados do aglomerado. A foto foi publicada pela Nasa na última quinta-feira (3/7).
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O Aglomerado Bala (em inglês, Bullet Cluster) é um dos exemplos mais extremos e conhecidos de colisão de galáxias. Ele já era famoso por ser uma das principais evidências da existência da matéria escura— uma substância invisível que influencia a gravidade do universo. Agora, com o poder do James Webb, astrônomos conseguiram observar galáxias distantes que estavam escondidas pela forte distorção gravitacional do local.
Na foto divulgada, é possível ver um emaranhado de luz e poeira cósmica, com galáxias esticadas e distorcidas por um fenômeno chamado lente gravitacional. Esse efeito acontece quando um campo gravitacional muito forte, como o do Aglomerado Bala, curva a luz vinda de galáxias que estão muito mais distantes, funcionando como uma lente cósmica natural.
O que é o telescópio espacial James Webb?
- O JWTS ou Webb é a ferramenta mais atualizada que temos em relação à observação do espaço.
- Ele é um telescópio espacial projetado pela Nasa em colaboração com a Agência Espacial Europeia (ESA) e a Agência Espacial Canadense (CSA) com o intuito de substituir o Telescópio Espacial Hubble.
- O telescópio está localizado a mais de 1 milhão de quilômetros da órbita da Terra.
- Ele foi criado para ajudar a responder perguntas sobre a origem do universo, a existência de planetas habitáveis, a formação de galáxias e estrelas, a presença de buracos negros e a evolução de sistemas planetários, além de investigar em detalhes os exoplanetas.
Com base nessas observações, os astrônomos puderam “reproduzir” a colisão entre as galáxias. Isso revelou que o gás quente (em rosa) foi arrancado dos aglomerados de galáxias e deixado para trás na região central, enquanto a matéria escura (em azul), associada a aglomerados de galáxias individuais, permaneceu intacta e não foi arrastada para longe.
O James Webb usou sua câmera de infravermelho para penetrar nas nuvens de poeira e detectar essas galáxias “perdidas”, que não eram visíveis com outros telescópios. Os registros ajudarão cientistas a entender melhor como galáxias distantes se formaram logo após o Big Bang e como colisões gigantescas moldam o cosmos.
O telescópio espacial James Webb (JWST) é o mais potente já lançado e tem como missão observar o universo em infravermelho, permitindo enxergar objetos que estavam ocultos pela poeira cósmica ou muito distantes no tempo e no espaço. Desde seu lançamento, ele tem produzido imagens inéditas que ajudam a explicar a origem das galáxias e a composição do universo.
O Aglomerado Bala é um dos objetos cósmicos mais estudados justamente por ser uma colisão entre galáxias que permite visualizar efeitos extremos da gravidade no espaço.
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