TCE vê “valores atípicos” de emendas voluntárias do governo Tarcísio

TCE vê “valores atípicos” de emendas voluntárias do governo Tarcísio

Uma fiscalização do Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou falta de transparência e ausência de controle orçamentário e financeiro por parte da gestão do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), em relação à distribuição de emendas parlamentares voluntárias em 2024.

De acordo com a análise do tribunal, foram observados repasses de “valores atípicos” a determinados municípios “sem justificativas administrativas ou documentais que comprovassem a decisão, apesar das alegações da Secretaria de Governo e Relações Institucionais de atendimento às necessidades locais e aos objetivos estratégicos do governo”.

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As emendas voluntárias são indicadas por deputados estaduais durante a execução do orçamento. Ao contrário das emendas impositivas, a gestão estadual não tem a obrigação de executar os recursos. Segundo dados da Secretaria de Governo, em 2024 foram pagos pouco mais de R$ 1 bilhão em emendas voluntárias.

“A fiscalização apontou uma ausência de controle orçamentário e financeiro específico que permita identificar os recursos destinados a essa modalidade, em razão de indicações parlamentares. Além disso, os critérios para a distribuição desses recursos carecem de transparência, não sendo possível identificar como o Poder Executivo avalia a viabilidade técnica das propostas ou sua adequação às políticas públicas vigentes”, afirmou o TCE no relatório sobre as contas do governo paulista do ano passado.

De acordo com o conselheiro Dimas Ramalho, responsável pelo relatório, o portal estadual disponibiliza informações sobre emendas parlamentares em “nível inferior” ao praticado pelo Governo Federal, que segue recomendações do Supremo Tribunal Federal (STF) para “maior rastreabilidade e controle público”.

“Um problema amplamente criticado reside na baixa transparência por parte das entidades do terceiro setor que recebem recursos de emendas: das 30 maiores beneficiárias em 2024, apenas uma publicou informações detalhadas sobre a utilização dos valores recebidos. Os mecanismos de controle do Governo Estadual sobre a transparência dessas entidades também se mostraram falhos, limitando-se a ações informativas e de capacitação, sem um sistema de fiscalização efetivo”, avaliou o TCE.

Emendas impositivas e emendas “Pix”

  • Em relação à fiscalização sobre a execução das emendas impositivas, as quais o governo é obrigado a pagar, o TCE aponta que foram identificadas divergências nos valores pagos na comparação com informações de diferentes fontes oficiais, “indicando a necessidade de ajustes”.
  • O órgão ainda constatou um montante de R$ 38,4 milhões do orçamento autorizado para as emendas impositivas que não foi empenhado. Já do R$ 1 bilhão empenhado, quase 15% não foram liquidados no exercício de 2024, ficando para execução do ano seguinte como “restos a pagar”. Segundo o TCE, isso “demanda acompanhamento dada a obrigatoriedade de sua aplicação”.
  • Sobre as chamadas transferências especiais, conhecidas como “emendas Pix”, a auditoria do TCE destacou que o Governo de São Paulo não exige a elaboração prévia de um plano de trabalho para a liberação dos recursos, “uma prática já recomendada pelo STF ao Governo Federal como essencial para a boa governança e correta aplicação dos recursos públicos”.
  • “A prestação de informações pelos municípios sobre a aplicação desses recursos ao governo estadual ocorre apenas mediante solicitação, e não como um procedimento padrão e rotineiro”, afirmou o TCE.
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