A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tem até as 20h34 desta sexta-feira (22/8) para dar explicações ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). O motivo é um documento encontrado pela Polícia Federal (PF) no celular de Bolsonaro que fala sobre a possibilidade de pedir asilo político ao presidente da Argentina, Javier Milei.
Esse pedido é visto pelos investigadores como parte de um possível “plano de fuga”. Bolsonaro está em prisão domiciliar desde o início de agosto e, por decisão da Justiça, não pode deixar o país, usar celular nem manter contato com aliados políticos.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Ex-presidente Bolsonaro registrou R$ 30 milhões em movimentações, diz Polícia FederalFoto: Ton Molina/STF
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) está cumprindo prisão domiciliarReprodução: Internet Ex-presidente Bolsonaro registrou R$ 30 milhões em movimentações, diz Polícia FederalFoto: Antonio Augusto/STF Jair Bolsonaro em entrevista aos jornalistas nesta quinta-feira (24/7)Reprodução: Estadão Internet Reprodução
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De acordo com a PF, Bolsonaro e o filho Eduardo foram indiciados por tentar pressionar investigações e por tentar limitar o funcionamento dos Poderes no Brasil. O relatório mostra que o ex-presidente teria cogitado ir para a Argentina caso a situação se agravasse.
Moraes deu 48 horas para que os advogados esclareçam se o ex-presidente realmente tentou articular esse plano e se também orientou aliados a manter publicações em redes sociais em seu nome, o que é proibido.
Não é a primeira vez que Bolsonaro precisa se explicar por descumprir regras judiciais. Em julho, ele apareceu em entrevista na saída da Câmara dos Deputados, mesmo proibido de falar com a imprensa. Moraes tratou o caso como algo isolado.
Pouco depois, em 3 de agosto, Bolsonaro voltou a descumprir as condições ao participar, por vídeo, de uma manifestação no Rio de Janeiro. Nesse momento, Moraes determinou a prisão domiciliar e reforçou as restrições.
Mais de 300 mensagens
A PF também descobriu que, mesmo sem poder usar celular, Bolsonaro teria repassado mais de 300 mensagens por meio de terceiros. Essas mensagens incluíam convocações de atos, vídeos de apoio de Donald Trump e críticas a Moraes.
Para os investigadores, a forma como Bolsonaro agiu lembra o esquema investigado no inquérito das chamadas “milícias digitais”, quando grupos organizados usavam redes sociais para pressionar instituições.
Agora, caberá à defesa responder se houve de fato a preparação de fuga e se o ex-presidente manteve contatos proibidos com aliados e militares.