O Atlético-MG demitiu três profissionais do departamento de fisioterapia após uma acusação de assédio sexual, moral e humilhações no ambiente de trabalho. O episódio ocorreu em agosto de 2023 e resultou em processos judiciais contra o clube e entre os envolvidos. Em um deles, o Galo fez um acordo com a vítima, pagando cerca de R$ 10 mil. Outro processo segue em aberto, no qual um dos demitidos pede indenização de R$ 223 mil.
De acordo com documentos acessados pela ESPN, a vítima, uma residente da fisioterapia, relatou que um fisioterapeuta da base exibiu a ela um vídeo pornográfico editado com áudio retirado de uma publicação profissional em seu Instagram, sem consentimento. O material foi compartilhado entre funcionários e chegou a atletas menores de idade, gerando constrangimento.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Atlético MGReprodução Reprodução Jogadores de Atlético-MG e Flamengo durante a disputa por pênaltis.Jogadores de Atlético-MG e Flamengo durante a disputa por pênaltis. Pedro Souza/Atlético
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A vítima afirma que pediu o vídeo em questão, mas os acusados tratavam o caso como uma brincadeira. Depois, segundo o relato, passou a sofrer perseguições, ligações insistentes e tentativas de coação para que mudasse sua versão dos fatos. O episódio foi comunicado aos superiores e posteriormente formalizado em denúncia nos canais internos do clube, com anexos de vídeo, áudios, registros de ligações e mensagens.
Em depoimento, a vítima afirmou: “Resolvi fazer essa denúncia pois sofri dois tipos de abuso extremamente graves e gostaria que não acontecesse com mais ninguém, uma vez que fui vítima e ficará marcado na minha vida, inclusive com a necessidade de terapia para superar os fatos ocorridos. Demorei de me expressar nesse canal por medo de represálias.”
Após investigação interna, um diretor do clube descreveu a gravidade da situação em e-mail a colegas de gestão: “Diante do exposto, entendo que houve um ato grave dentro da instituição feito por profissionais do clube. Primeiro em utilizarem o espaço de trabalho para uma brincadeira de extremo mau gosto, segundo em não assumirem pessoalmente o erro cometido, terceiro omitindo informações para se protegerem e protegerem a terceiros.”
O Atlético-MG decidiu então pela demissão por justa causa dos fisioterapeutas Gustavo Braga, Marcelo Saliba e Silvanio Signoretti Jr..
Marcelo Saliba, que chefiava o setor e trabalhava no clube havia 12 anos, contestou a dispensa na Justiça. Em sua ação, pede R$ 223 mil de indenização e alega que não participou do episódio, tendo tomado providências quando foi informado. Ele afirmou que comunicou à direção, repreendeu o subordinado e ofereceu apoio à vítima, anexando mensagens dela após sua saída do clube.
A sentença de primeira instância, no entanto, confirmou a demissão. O juiz destacou: “O fato de um empregado fazer um vídeo montado de conteúdo sexual, utilizando áudio de uma colega, é grave o suficiente para ensejar uma dispensa por justa causa.”
A vítima também formalizou denúncias ao Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) e à Sociedade Nacional de Fisioterapia Esportiva (Sonafe), aguardando andamento dos processos.
Posicionamentos
O Atlético-MG informou que “trata-se de questão interna, resolvida em âmbito interno com toda seriedade e efetividade, especialmente visando à proteção da vítima”.
A defesa de Marcelo Saliba declarou que respeita o sigilo processual. “Marcelo manifesta sua solidariedade e esclarece que também foi vítima, pois não tinha conhecimento dos fatos quando estes ocorreram. Tão logo tomou ciência posteriormente, comunicou a direção do clube e prestou todo o apoio possível. Apesar disso, foi injustamente dispensado por justa causa”, ressaltou.
Segundo a defesa, há nos autos áudio em que a própria vítima afirma que ele não teve envolvimento no caso. Gustavo Braga disse que a versão apresentada não condiz com a realidade e que a apuração corre em segredo de Justiça. Silvanio Signoretti Jr. não foi localizado para comentar.
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