Deputado federal bolsonarista sugere “dividir” o Brasil em “Brasil do Norte” e “Brasil do Sul”

Em meio a polêmica e críticas, o deputado federal bolsonarista Paulo Bilynskyj (PL-SP) defendeu publicamente a ideia de desmembrar o Brasil em duas unidades geopolíticas: o “Brasil do Norte” e o “Brasil do Sul”. A proposta foi apresentada durante participação no podcast Redcast, no qual ele argumentou que essa divisão poderia refletir, segundo ele, as diferenças políticas regionais.

Durante a entrevista, Bilynskyj sugeriu que os estados da Região Norte e Nordeste constituíssem o “Brasil do Norte”, enquanto os estados das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul formariam o “Brasil do Sul”. Ele sustentou que, na sua visão, os eleitores do Norte votariam preferencialmente em Lula, enquanto no Sul ele acredita haver maioria em Bolsonaro: “Eles [Norte] votam no Lula, nós [Sul] votamos no Bolsonaro, pronto, acabou.”

Ao ser questionado pelo entrevistador sobre tratar-se de separatismo, o deputado rebateu: “Qual é o problema?”, e defendeu a tese de que países menores têm mais condições de democracia do que extensões territoriais muito grandes.

A declaração causou surpresa e repercussão imediata no cenário político. O conceito de “separatismo” foi levantado pelo apresentador do podcast, e diversos analistas e políticos criticaram a ideia por ser inconstitucional, inviável legalmente e por ferir o princípio de unidade da República.

Além do debate institucional, a proposta esbarrou em argumentos factuais: Bilynskyj fez generalizações eleitorais que não se sustentam. Por exemplo, ele afirmou que “o Brasil do Norte votaria no Lula”, mas os dados das eleições de 2022 mostram que Bolsonaro obteve 51,03 % dos votos na região Norte, frente a 48,97 % para Lula naquela região.

Paulo Bilynskyj, de 38 anos, é deputado federal por São Paulo, eleito pelo PL, e estava licenciado da Polícia Civil paulista, onde já responde processos disciplinares. Ele integra a chamada “bancada da bala” na Câmara dos Deputados.

Em seu histórico constam ocorrências de expressões polêmicas, como postagens acusadas de apologia ao estupro e racismo ao divulgar um material de preparação para concursos em que homens negros conduziam uma mulher para um quarto, em tom sugestivo e ofensivo. Esse episódio gerou investigação pelo Ministério Público de São Paulo.

Além disso, ele responde a ao menos três processos disciplinares dentro da polícia, e sua demissão está sendo pleiteada pela corporação desde 2022, com registro de penalidades anteriores por advertência e suspensão.

A proposta de dividir o país em duas unidades políticas esbarra em questões constitucionais graves. A Constituição Federal brasileira de 1988 consagra a indissolubilidade da União, e qualquer mudança desse porte exigiria emendas constitucionais, plebiscitos, debates nacionais amplos, além de enfrentar forte oposição jurídica e institucional.

No plano político, a defesa pública de uma “divisão” do Brasil pode alimentar discursos radicais, dividir ainda mais o ambiente partidário e acirrar tensões regionais. Há risco de que tal proposta, mesmo não tendo viabilidade prática, seja usada como ferramenta simbólica para reforçar identidades políticas ou polarização.

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