O analista político Alexandre Bandeira falou ao portal LeoDias sobre os impactos do voto do ministro Luiz Fux, único a divergir no julgamento que condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e aliados pela tentativa de golpe de Estado. Para ele, a postura de Fux abriu um ponto de tensão dentro do Supremo Tribunal Federal (STF) e pode afetar diretamente a relação do magistrado com os demais integrantes da Primeira Turma.
Segundo Bandeira, o longo voto de Fux, que durou cerca de 13 horas, não apenas contrariou a maioria, mas também criticou de forma detalhada a condução do processo pelo relator, ministro Alexandre de Moraes. Entre as críticas, o magistrado apontou suposto cerceamento de defesa, aceleração do rito processual e a retirada da possibilidade de que o caso fosse apreciado pelo Plenário do STF, e não apenas pela Primeira Turma.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Ministro Luiz FuxReprodução: YouTube/TV Justiça Alexandre de Moraes vota pela condenação dos réus, incluindo o ex-presidente da República, Jair BolsonaroReprodução: YouTube/TV Justiça Cármen Lúcia no julgamento na tarde desta quinta-feira (11/9)Reprodução: YouTube/TV Justiça Ministro do STF, Flávio Dino, durante voto para julgar condenação de Bolsonaro e outros sete réus nos atos golpistasReprodução: YouTube/TV Justiça Cristiano Zanin votou a favor da responsabilização das plataformasReprodução: YouTube/TV Justiça Bolsonaro registra presença no jardim de casa no quinto dia do julgamento no STFReprodução: Metrópoles
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Reação dos colegas
De acordo com o analista, a postura de Fux gerou desconforto imediato entre os ministros. “As expressões de Moraes e Flávio Dino durante a leitura do voto demonstraram o incômodo com a forma e o conteúdo das críticas”, afirmou.
No dia seguinte, a ministra Cármen Lúcia também sinalizou, de forma indireta, o descontentamento da turma, ao reforçar a importância de apartes durante o julgamento, em contrariedade ao tom adotado por Fux. Moraes chegou a usar 18 minutos para rebater a tese defendida pelo colega e reforçar a legitimidade da condução do processo.
Impacto institucional
Para Bandeira, embora a divergência seja parte da dinâmica natural de uma corte constitucional, a forma como Fux estruturou seu voto acabou criando “um abismo” entre ele e os demais integrantes da Primeira Turma.
O analista também destacou que a decisão de Fux poderá ser usada como argumento pela defesa de réus no futuro, especialmente para questionar eventuais falhas processuais, a exemplo do que ocorreu em casos da Lava Jato.
Relação interna
A análise aponta ainda para um possível isolamento do ministro dentro da Turma. “Fux já não faz mais parte do ‘clube da Primeira Turma’. A partir de agora, a relação tende a ser mais protocolar e distante”, disse Bandeira.
Além do desgaste interno, a posição do ministro pode acirrar críticas externas ao STF e aumentar a pressão política e jurídica sobre os magistrados que defenderam punições severas.