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É sempre melhor compreender (por Miguel Esteves Cardoso)

Por Metrópoles 11/09/2025 09:27
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Julgar é mais divertido do que querer perceber. Julgar provoca, faz rir, estimula a conversa.

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É por causa da facilidade de julgar que compreender é menos popular. Perante cada acontecimento, é sempre mais fácil (e mais rápido, repito) ser-se a favor ou contra ou indiferente.

Querer compreender é lento e dá pouco jeito: não se pode interrogar os participantes, não há tempo para ir à procura de uma bibliografia, é difícil arranjar uma neutralidade, por muito provisória e artificial que seja.

Para querer compreender, corre-se sempre o perigo de perdoar um bocadinho, de complicar as coisas e, sobretudo, de ficar com uma opinião que não é carne nem peixe.

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As perguntas básicas estão mais do que esquecidas: porque é que fizeram aquilo? O que é que procuravam conseguir? Para quê? Com que motivação? Com que antecedentes?

Muito ganhamos em olhar para os tribunais: os julgamentos são a criação humana mais aperfeiçoada ao longo dos séculos, adaptando-se a todas as culturas e épocas, e abarcando todo o comportamento e todas as condicionantes humanas.

Não são apenas o jornalismo e a investigação académica que nos devem inspirar, e que devemos tentar imitar à nossa pequena escala individual: é o trabalho dos juízes.

Os maiores crimes não deixam de ser crimes quando se compreende o que aconteceu. Compreender não é perdoar. E, acima de tudo, a curiosidade de compreender nada tem a ver com a vontade de avaliar os méritos ou os danos do que se pretende compreender.

Mas claro – se o que queremos fazer é avaliações sumárias e julgamentos instantâneos, o maior empecilho é tirar uns minutos para tentar perceber porque é que aquilo aconteceu.

Digamos o que dissermos, para satisfazer o tu-cá-tu-lá do mata-e-esfola dos cem casos por mês, é sempre melhor esquecer essa precipitação – e tentar compreender.

 

(Transcrito do PÚBLICO)

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