Justiça do Trabalho condena Volkswagen a pagar R$ 165 milhões por trabalho escravo no Pará

Segundo MPT, fazenda que era da Volkswagen manteve trabalhadores em situação análoga à escravidão , durante a ditadura militar, nas décadas de 1970 e 1980 — Foto: TV Liberal/Reprodução

A Vara do Trabalho de Redenção, no sul do Pará, determinou que a Volkswagen do Brasil pague R$ 165 milhões por danos morais coletivos decorrentes de condições de trabalho análogas à escravidão na Fazenda Vale do Rio Cristalino, localizada em Santana do Araguaia, durante a ditadura militar, nas décadas de 1970 e 1980, período em que a propriedade pertencia à empresa.

Segundo o Ministério Público do Trabalho (MPT), cerca de mil trabalhadores foram submetidos a jornadas exaustivas, alojamentos degradantes, falta de água potável, vigilância armada, escravidão por dívida e violência física. Muitos eram recrutados em cidades distantes e levados à fazenda para derrubar a mata nativa e abrir pastos.

O MPT destacou que a sentença é a maior já registrada em casos de trabalho escravo no país e determina que a empresa reconheça publicamente sua responsabilidade e peça desculpas aos trabalhadores e à sociedade brasileira.

O caso chegou ao conhecimento do MPT em 2019, a partir de documentos reunidos pela Comissão Pastoral da Terra (CPT). Em depoimento, um trabalhador relatou:

Segundo MPT, fazenda que era da Volkswagen manteve trabalhadores em situação análoga à escravidão , durante a ditadura militar, nas décadas de 1970 e 1980 — Foto: TV Liberal/Reprodução

“Nós ficávamos num barracão de lona, fazíamos nossa comida, bebíamos água do córrego, com chuva, e ficávamos só no mato mesmo, no serviço. Não podíamos sair, nem nos comunicar com a família.”

Antes da ação civil pública, o MPT tentou acordo com a empresa em cinco audiências realizadas entre 2022 e 2023, mas a Volkswagen se retirou das negociações em março de 2023. A ação foi movida oficialmente em dezembro de 2024, e a decisão judicial foi publicada em 29 de agosto de 2025.

Em nota, a Volkswagen do Brasil afirmou que tomou conhecimento da decisão em primeira instância e que recorrerá às instâncias superiores. A empresa reforçou seu compromisso com a dignidade humana e cumprimento das leis trabalhistas, destacando que continuará defendendo sua atuação jurídica.

O caso marca um episódio histórico de responsabilização por trabalho análogo à escravidão no país e reforça a importância da atuação do MPT na proteção dos direitos trabalhistas e na reparação às vítimas.

Informações via G1.

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