Recentemente, o colunista Flávio Ricco matou a charada em sua coluna aqui no Portal LeoDias: as crianças são o futuro da televisão — mas a TV aberta resolveu ignorá-las. E não dá nem para dizer que é por falta de aviso. Desde que a publicidade infantil foi restringida, as emissoras, em vez de buscar soluções criativas, simplesmente lavaram as mãos. O recado foi claro: se não dá dinheiro imediato, não vale investir.
O resultado está aí, escancarado. A televisão aberta deixou de formar novos telespectadores. A geração que cresceu com “Xou da Xuxa”, “TV Colosso” ou “Bom Dia & Cia” criou um vínculo emocional com a telinha. Hoje, uma criança sequer sabe o que passa na TV aberta pela manhã — e, sinceramente, nem faz falta, porque o celular já supre tudo.
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E quem preencheu esse vazio? O YouTube. A plataforma virou a nova “babá eletrônica”, com canais de todos os tipos dedicados ao público infantil: animações, unboxing de brinquedos, histórias narradas, músicas educativas, transmissões ao vivo. Enquanto a TV aberta fechava a porta, o YouTube abriu um shopping inteiro de opções, disponível a qualquer hora e a um clique de distância.
Este é um erro estratégico gigantesco das emissoras de TV aberta. Em vez de pensar no futuro, elas agem com miopia: só olham para o faturamento do mês. Esquecem que audiência também se constrói a longo prazo. Quem não aprende a ver televisão quando pequeno não vai “descobrir” esse hábito na vida adulta.
Enquanto a TV aberta se acomoda, YouTube, streamings e até aplicativos de joguinho moldam a cabeça das novas gerações. A conta, como bem disse Flávio Ricco, já está chegando — e talvez não haja tempo de reverter.
No fundo, a televisão aberta parece ter desistido de disputar esse público. Só que, sem crianças, não há futuro. Quem só fala com adultos está condenado a envelhecer junto com eles.