Os moradores de Rio Branco enfrentam mais de 10 dias de dificuldades no abastecimento de água por causa da alta turbidez no Rio Acre, que tem dificultado o tratamento nas Estações de Tratamento de Água (ETAs). O fenômeno, que normalmente dura até três dias, tem se prolongado de forma atípica em outubro, afetando diversas regiões da capital.
O diretor-presidente do Serviço de Água e Esgoto de Rio Branco (Saerb), Enoque Pereira, explicou que o problema é resultado das fortes chuvas, que aumentaram a quantidade de partículas sólidas no rio:
“Estamos desde o dia 10 com a turbidez acima de mil, e em três desses dias chegou a mais de dois mil. As ETAs não foram projetadas para tratar lama, mas sim água. Por isso, precisamos reduzir a vazão para não enviar água suja às residências.”
A produção média do Saerb caiu de 1.600 litros por segundo para cerca de 1.300, chegando a 1.200 nos dias mais críticos. Apesar dos esforços para equilibrar o abastecimento entre as regionais, alguns bairros, como parte do Centro, Papouco da Estação e áreas mais altas, foram mais afetados. O diretor reforçou o pedido para que a população use a água de forma consciente.
O coordenador da Defesa Civil Municipal, tenente-coronel Cláudio Falcão, destacou que o problema vai além das chuvas:
“O Rio Acre sofre com degradação ambiental e falta de matas ciliares. Essas impurezas e a oscilação constante do nível da água aumentam a turbidez, dificultando o tratamento e prolongando a situação.”
O Saerb informou que a estabilização do tempo e a redução das chuvas devem ajudar na diminuição da turbidez nos próximos dias, permitindo o retorno gradual do abastecimento de água em toda a cidade.