
Durante o Outubro Rosa, mês dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, os números no Acre acendem um alerta. De acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (Sesacre), entre 2023 e 2025 foram registrados 391 novos casos da doença no estado. A maioria das ocorrências é entre mulheres, mas também há registros em homens.
Em 2023, o Acre contabilizou 144 casos, sendo 142 em mulheres e 2 em homens. No ano seguinte, foram 132 notificações, com a mesma proporção masculina. Já em 2025, até o dia 1º de outubro, o estado somou 115 novos diagnósticos, dos quais 114 são femininos e 1 masculino.
Em setembro, o Ministério da Saúde anunciou a ampliação do acesso à mamografia pelo SUS para mulheres a partir dos 40 anos. Antes, o exame era ofertado prioritariamente para o público entre 50 e 69 anos.
No Acre, o exame pode ser solicitado em qualquer Unidade Básica de Saúde (UBS). Após avaliação médica, a paciente é encaminhada ao Centro de Controle Oncológico do Acre (Cecon), em Rio Branco, para a realização da mamografia.
Diagnóstico precoce é essencial
O cirurgião geral e mastologista Sidney Rogério Alves destaca que o câncer de mama é um dos tipos mais comuns entre mulheres no Brasil e no mundo, e que a detecção precoce é decisiva para o sucesso do tratamento.
“Quando o diagnóstico é feito no início, as chances de cura aumentam consideravelmente. Por isso, o acompanhamento médico e a realização da mamografia são fundamentais”, reforça o especialista.
Segundo ele, os sintomas variam conforme o tipo e o estágio da doença, mas geralmente aparecem em fases mais avançadas. Entre os sinais de alerta, o médico cita:
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Nódulos ou caroços nas mamas ou axilas;
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Massas endurecidas;
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Descarga papilar espontânea (clara ou com sangue);
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Alterações no formato do mamilo;
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Dor, que pode não estar presente nas fases iniciais.
O mastologista ressalta que o autoexame é uma forma importante de autoconhecimento corporal. Ele recomenda que seja feito no quinto dia após a menstruação ou, para mulheres que não menstruam, no dia 5 de cada mês.
“O ideal é levantar o braço e palpar a mama oposta com movimentos circulares, observando também as axilas. Depois, repetir do outro lado. O importante é conhecer o próprio corpo e procurar um médico ao notar qualquer mudança”, orienta o especialista.
Atenção também para os homens
Apesar de raro, o câncer de mama masculino representa cerca de 1% dos casos e também exige atenção.
“Homens devem procurar atendimento médico se perceberem caroço atrás do mamilo, inversão do mamilo ou feridas na região”, alerta o médico.
Sidney lembra ainda que a ginecomastia — aumento benigno das mamas masculinas — pode causar confusão com nódulos, mas a avaliação médica é essencial para descartar riscos.
Com quase 400 casos registrados em três anos, o alerta é claro: a prevenção e o diagnóstico precoce continuam sendo as principais armas contra o câncer de mama.