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Em áudio, filiada ao PL cobra “cashback” de 1/3 de emenda em SP

Por Metrópoles 25/10/2025 01:27
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Áudios de WhatsApp obtidos pelo Metrópoles mostram conversas de uma filiada ao Partido Liberal (PL) na cidade de Rio Claro, no interior paulista, negociando a devolução de parte do valor de uma emenda parlamentar que seria destinada a um município da região.

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Amanda Servidoni (ao centro na foto em destaque) se apresenta na região como “assessora” da deputada estadual licenciada Valéria Bolsonaro (PL), atual secretária de Políticas para a Mulher do governo Tarcísio de Freitas (Republicanos), embora não ocupe nenhum cargo na pasta.

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Ex-servidora da Prefeitura de Rio Claro, cidade de 200 mil habitantes que fica a 170 quilômetros da capital paulista, Amanda é presidente do projeto social “Mulheres pela Fé”, que tem Valéria (à esquerda na foto em destaque) como madrinha. Na última quinta-feira (23/10), a secretária inaugurou um escritório político na cidade que fica no mesmo imóvel da sede do projeto de Amanda.

Em um dos áudios de Whatsapp, Amanda pede pelo menos R$ 100 mil de volta de uma emenda (verba pública) de R$ 300 mil encaminhada a um município da região — o nome da cidade não é mencionado. Outros áudios indicam que o esquema funcionaria em mais cidades do interior e Amanda se coloca como responsável pela intermediação com deputados estaduais e federais.

“Ele [prefeito] vai gastar 100k [mil] com a com a pista, entendeu? Com a… com a coisa. E nós estamos dando 300 [mil]. Desses 300 eu quero pelo menos uns 100, entendeu? Não quero 10%, filho. Vocês não sabem fazer negócio. Se ele falou que ele vai gastar com a… com o caminho 100, ele vai tá ganhando 200 e nós 30?”, questiona Amanda em um dos áudios obtidos pela reportagem (ouça abaixo).

Nas conversas, Amanda se recusa a receber 10% pelo negócio e pede mais dinheiro Ela também cobra R$ 100 mil “para abrir portas” para os recursos públicos em outros municípios.

“Ele [prefeito] já vai ganhar 100 [mil reais] que ele vai executar e 100 que vai vir de lambuja, entendeu? Mas nada certo ele fazer isso para abrir as portas”, afirmou Amanda. “É isso. É 100 e 100, entendeu? 100 e 100. Pronto. Para abrir mais [portas] nas outras cidades”, cobra em outro áudio.

Uma pessoa não identificada ajuda a compreender que as conversas eram sobre emendas parlamentares. Em um áudio enviado para Amanda, fala-se sobre a articulação com uma prefeita e uma deputada, cujos nomes não são mencionados.

“Amanda, boa noite. Aquela emenda deve estar alinhada, deve estar encaminhada para a deputada lá. Eu não sei, esses dias tava numa correria, a prefeita tava atrás das festas, Romaria, muito compromisso, sabe? Mas se tiver alguma novidade, tá faltando alguma coisa… Foi feito um ofício, foi encaminhado dos R$ 300 mil. Você dá um alô, tá? Qualquer novidade amanhã, tá bom?”, disse o interlocutor.

Questionada pelo Metrópoles, Amanda admite a autoria do áudio, disse que “trabalha com projetos”, mas negou que tratasse de emendas parlamentares. “Não tenho nada a declarar”.

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Amanda Servidoni e Valéria Bolsonaro

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Campanha de prevenção do projeto Mulheres pela Fé

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Filiação de Amanda Servidoni ao PL, com Valdemar Costa Neto e Valéria Bolsonaro

Reprodução/Redes sociais

Quem é Amanda Servidoni

Mulheres pela fé

Em áudios de WhatsApp, Amanda Servidoni também conversa com um homem chamado Eduardo sobre um projeto de musicalização para mulheres e outro que seria desenvolvido junto com uma pastora. O Metrópoles apurou que o interlocutor seria Eduardo Aparecido dos Santos, assessor jurídico de Valéria Bolsonaro na Secretaria de Políticas para as Mulheres.

Ao Metrópoles ele disse que Amanda é uma “assessora regional” de Valéria que os áudios com pedido de “cashback” de emendas não têm nenhuma relação com a secretária.

“Não tem nenhuma relação com a Valéria Bolsonaro. A relação que tem é relação de amizade, é relação de apoio político. É apoio de projetos sociais. Isso sim, isso é público. Rede social, qualquer coisa que você for ver, você vai ver fotos do Mulheres Pela Fé com a Valéria Bolsonaro. Isso sim, a Valéria sempre apoiou esse tipo de projeto porque acaba trazendo ganho para a população. É um apoio, mas ela não é servidora”, afirmou Eduardo Santos.

Em nota, a secretaria afirmou que a reportagem não aborda nada que “seja competência da pasta”.

“A Secretaria de Políticas para a Mulher não possui relação com o projeto social Mulheres pela Fé. Emendas parlamentares são temas da Assembleia Legislativa, com pagamentos realizados às prefeituras e instituições conforme ritos administrativos e legais. As prefeituras têm autonomia para empregar recursos obtidos por meio de emendas na modalidade transferência especial, cabendo a órgãos de controle e Tribunal de Contas o controle e fiscalização da aplicação dos recursos”.

A secretária Valéria Bolsonaro não se manifestou sobre sua relação com Amanda Servidoni até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.

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