Lula critica alta da Selic e diz que juros baixos e inflação controlada significam crescimento

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva é entrevistado pelo ‘Bom Dia Pará’ no dia 3 de outubro de 2025 — Foto: TV Liberal/Reprodução

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou, nesta sexta-feira (3), a manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 15% ao ano, decisão anunciada pelo Banco Central (BC) em 17 de setembro. Trata-se do maior patamar em quase 20 anos — em julho de 2006, durante o primeiro mandato de Lula, a Selic estava em 15,25% ao ano.

Em entrevista à TV Liberal, do Pará, o presidente afirmou que a taxa elevada representa um problema para a economia e destacou que inflação baixa e juros mais baixos estimulam crescimento, geração de empregos e melhoram a qualidade de vida da população.

“Nós temos um problema com a taxa de juros que está alta. Vamos ter que cuidar para que ela baixe um pouco mais, porque precisamos ter consciência de que inflação baixa e juro baixo significam crescimento, emprego e melhoria da qualidade de vida do povo brasileiro, e disso eu não abro mão”, afirmou Lula.

A Selic está em 15% desde junho de 2025, e o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central justificou a manutenção da taxa devido a instabilidades no cenário externo e à inflação ainda acima da meta. O comitê reconheceu que a atividade econômica perdeu força, mas destacou que o mercado de trabalho continua aquecido.

A expectativa de economistas é que a Selic permaneça nesse patamar pelo menos até o início de 2026.

Lula adotou um tom mais moderado ao criticar a Selic, em comparação com declarações feitas durante o período em que Roberto Campos Neto, indicado pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, presidia o BC. Hoje, o Banco Central é comandado por Gabriel Galípolo, indicado por Lula.

O Copom é composto pelo presidente do BC e oito diretores, a maioria indicados pelo atual governo, responsáveis diretamente pelas decisões sobre a taxa.

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, também indicou alinhamento com o presidente. No fim de setembro, Haddad declarou que acredita haver espaço para redução da Selic, afirmando que a taxa nem deveria estar no nível atual de 15% ao ano.

“Eu entendo que tem espaço para esse juro cair. Acredito que nem deveria estar em 15%. Ele [presidente do BC, Gabriel Galípolo] tem quatro anos de mandato e vai entregar um resultado consistente ao Brasil”, disse Haddad.

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Informações via G1 Acre.

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