MPAC recorre à Justiça para garantir vaga em escola no turno da manhã para filho de diarista no Acre

Uma ação civil pública ajuizada pelo Ministério Público do Acre (MPAC) em Brasileia joga luz sobre um problema que vai além da falta de vagas em escolas: a dupla jornada e a vulnerabilidade econômica das mães trabalhadoras. A promotoria pede à Justiça que obrigue o município a matricular um aluno no turno matutino, após sua mãe, uma diarista, perder a fonte de renda da família por não conseguir conciliar o trabalho com o horário escolar do filho.

A mãe cumpriu com todos os requisitos, chegando a passar a madrugada na fila, mas não obteve a vaga no turno desejado. Para o MPAC, o caso é emblemático, pois “evidencia uma situação que ultrapassa o interesse individual e reflete desigualdades estruturais que recaem sobre mulheres em contextos de vulnerabilidade socioeconômica”.

A ação sustenta que a “perspectiva de gênero deve orientar as políticas públicas educacionais”, já que negar a compatibilização de horários força as mães a uma escolha impossível: entre o sustento da família e o cuidado com os filhos. O MPAC pede a criação de vaga suplementar ou, alternativamente, transporte gratuito, e que o município adote critérios de matrícula que previnam futuras discriminações.

Com base nesses fundamentos, o MPAC requer que o Município de Brasileia e a Secretaria Municipal de Educação garantam a matrícula do aluno no turno matutino, no prazo de 48 horas, ainda que mediante criação de vaga suplementar. Subsidiariamente, caso comprovada a impossibilidade temporária de vaga, o Ministério Público pede que o Município providencie transporte escolar gratuito até a unidade educacional mais próxima que ofereça o turno da manhã, assegurando o acesso e a permanência do estudante até a solução definitiva.

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