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Pesquisas brasileiras avançam no diagnóstico do Alzheimer com exame de sangue

Por Marcos Henrique 16/10/2025 07:49
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© Louis Reed/ Unsplash

Um grupo de cientistas brasileiros deu mais um passo importante na luta contra o Alzheimer. Estudos recentes confirmaram o potencial de um exame de sangue para diagnosticar a doença de forma rápida e precisa, a partir da detecção da proteína p-tau217, considerada o principal biomarcador para diferenciar pessoas saudáveis das que já apresentam sinais da enfermidade. A pesquisa, apoiada pelo Instituto Serrapilheira, tem como meta levar o teste para o Sistema Único de Saúde (SUS), tornando-o acessível à população em larga escala.

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De acordo com o pesquisador Eduardo Zimmer, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), hoje o diagnóstico no Brasil é feito por dois tipos de exames: o de líquor, que exige punção lombar e estrutura hospitalar, e o de imagem, como a tomografia — ambos considerados caros e pouco viáveis para uso amplo no SUS. “Uma punção lombar demanda infraestrutura e especialistas. Já o exame de imagem tem custo elevado, o que dificulta sua aplicação em um país de dimensões continentais como o Brasil”, explicou Zimmer.

A pesquisa, assinada por 23 cientistas — sendo oito brasileiros —, reuniu dados de mais de 110 estudos com cerca de 30 mil pessoas. Os resultados mostraram que o biomarcador p-tau217 apresentou alta precisão, acima de 90%, índice recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Os testes, realizados com 59 pacientes, foram comparados ao exame de líquor e mostraram resultados praticamente idênticos.

Segundo Zimmer, outras instituições brasileiras também chegaram às mesmas conclusões, entre elas o Instituto D’Or e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), lideradas pelos professores Sérgio Ferreira, Fernanda De Felice e Fernanda Tovar-Moll. “São grupos de regiões diferentes do país, com perfis genéticos e socioculturais distintos, e o exame funcionou muito bem em ambos os contextos”, destacou o pesquisador.

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Pesquisador brasileiro Eduardo Zimmer, da UFRGS, participa de estudo sobre diagnóstico do Alzheimer – Foto Instituto Serrapilheira/Divulgação

O Alzheimer é hoje um dos principais desafios da saúde pública mundial. A OMS estima que 57 milhões de pessoas convivam com algum tipo de demência — e cerca de 60% dos casos são de Alzheimer. No Brasil, o Relatório Nacional sobre Demência (2024) aponta que 1,8 milhão de brasileiros vivem com a doença, número que pode triplicar até 2050.

Baixa escolaridade agrava o quadro

Os pesquisadores também observaram que a baixa escolaridade tem forte relação com o avanço da doença, reforçando o impacto de fatores sociais e educacionais sobre o envelhecimento cerebral. “A baixa escolaridade é um dos principais fatores de risco para o declínio cognitivo, mais relevante até que idade ou sexo. O cérebro estimulado pela educação formal cria mais conexões, tornando-se mais resistente ao Alzheimer”, explicou Zimmer.

Caminho até o SUS

Atualmente, o teste de sangue já é oferecido na rede privada, com tecnologia importada, como o exame americano PrecivityAD2, que custa cerca de R$ 3,6 mil. Por isso, os cientistas reforçam a importância de desenvolver uma versão nacional e gratuita.

Segundo Zimmer, antes de o exame chegar ao SUS, é necessário garantir sua eficácia e definir estratégias para implementação. “Precisamos entender onde as análises serão realizadas, quem será beneficiado e como esse exame pode acelerar o diagnóstico”, afirmou.

Os resultados finais da pesquisa devem ser divulgados em dois anos. Até lá, novos testes serão feitos com pessoas acima de 55 anos, faixa etária em que a doença pode estar em fase pré-clínica, sem sintomas aparentes. “Nosso objetivo é mapear a prevalência dessa fase inicial da doença”, completou o pesquisador.

A pesquisa foi publicada na revista Molecular Psychiatry e teve seus resultados reforçados em uma revisão internacional na Lancet Neurology, divulgada em setembro.

Via Agência Brasil.

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