Donald Trump disse, em entrevista à Fox News, que se sente “obrigado” a processar a BBC, porque a emissora pública britânica “enganou o público e admitiu isso. Alteraram o meu discurso de 6 de janeiro e o fizeram parecer radical. O que fizeram é realmente inacreditável”.
O presidente americano deu prazo até sexta-feira à noite para a BBC fazer uma retratação pública e lhe oferecer um ressarcimento ou, afirmou ele, entrará com um ação contra a emissora no valor de US$ 1 bilhão.
O que a BBC perpetrou não é grave. É gravíssimo. Ela precisa pagar pelo que fez.
No ano passado, pouco antes da eleição presidencial americana, um programa da emissora exibiu o discurso do então candidato derrotado Donald Trump, naquele dia fatídico de 2021, editado na base do recorta e cola para que parecesse que ele fez um apelo direto à invasão do Capitólio aos seus seguidores. Fake news na veia.
O caso foi revelado na semana passada pelo jornal conservador The Telegraph, também britânico, que teve acesso a um memorando interno da BBC.
No documento, o seu autor, o jornalista Michael Prescott, não apenas denuncia a edição maldosa do vídeo do discurso de Donald Trump, como aponta o wokismo evangelizador que impregna as reportagens sobre questões ambientais e de gênero, além do vergonhoso favorecimento ao grupo terrorista Hamas na cobertura da guerra em Gaza, com a veiculação de reportagens enviesadas contra Israel e de declarações antissemitas não menos do que chocantes.
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O posicionamento da BBC a favor do Hamas é evidente. Em um documentário sobre o sofrimento das crianças em Gaza, por exemplo, a emissora omitiu que um dos narradores era filho de um chefe do Hamas. Só o retirou do ar quando o caso veio à tona. Desde então, dezenas de “correções” tiveram de ser feitas pela emissora.
O escândalo causado pela manipulação do vídeo do discurso de Donald Trump levou a que o diretor-geral da BBC, Tim Davie, e a chefe de jornalismo, Deborah Turness, se demitissem. Mas o problema não será resolvido com a saída de ambos. Assim como a maioria dos jornais, sites e emissoras ao redor do mundo, a BBC está tomada por profissionais doutrinados pela esquerda e ignorantes em deontologia.
Não vou pecar por santimônia, como fazem tantos colegas que apontam o dedo contra a BBC. Jornalista que ocupou posições de destaque e que, no seu outono, seguiu o caminho da militância por certas causas, reconheço que cometi erros, injustiças e maldades na minha carreira longa demais.
A meu favor, no entanto, posso dizer que nunca transmiti falsas impressões de imparcialidade ou escondi a minha posição política. Mas jamais deturpei fatos, seja por ideologia ou por dinheiro, e não faltam inimigos que me acusam de fazer o contrário. Danem-se os inimigos. No meu currículo, tenho duas intimações da PF e um indiciamento por ter publicado reportagens verdadeiras sobre gente poderosa desta nossa democracia à brasileira.
É dessa posição pessoal imperfeita que posso acusar os jornalistas que usam verdades para publicar mentiras. Os jornalistas militantes que fingem imparcialidade para defender partidos. Os jornalistas que dobram a espinha, e até com alegria, a interesses políticos e econômicos. Os jornalistas que acham que vale tudo para apear do poder gente detestável como Donald Trump. Não vale. Você se iguala a ela. Você dá força a ela.
É dessa posição pessoal imperfeita que lamento pela BBC, referência de integridade até a minha geração, e pelos pagadores de impostos que a sustentam, no modelo europeu de emissoras públicas que se queria imune ao partidarismo. Lamento muito.