Início / Versão completa
Geral

A direita pedirá socorro a Trump para derrotar Lula em 2026

Por Metrópoles 10/11/2025 04:27
Publicidade

Cientista político e professor titular da Escola Brasileira de Administração Pública e de Empresas (FGV EBAPE), Carlos Pereira escreveu no jornal O Estado de S. Paulo que o bolsonarismo tornou-se um fardo e que a direita busca alforria. Talvez devesse, mas não o faz. Deve ter lá suas razões.

Publicidade

Para qual direita o bolsonarismo virou um fardo? Para a que se diz civilizada, mas votou em Bolsonaro no primeiro e no segundo turno da eleição de 2028, derrotando Fernando Haddad (PT)? Para a fração da suposta direita civilizada que em 2022 votou em Lula com o nariz tapado? Por pouco, Bolsonaro não se reelegeu.

Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo, apresenta-se como um dos nomes da direita civilizada que sabe comportar-se elegantemente em uma mesa de banquete. Assim procedem também muitos dos que o defendem como o único aspirante a presidente capaz de derrotar Lula em 2026.

Se o bolsonarismo e o seu líder são de fato um fardo, o que impede Tarcísio de jogá-los fora e seguir em frente? Simples: ele não tem votos nem apoios suficientes para encarar tal aventura. Não teria sequer para se reeleger governador. Elegeu-se porque Bolsonaro lhe estendeu a mão. Continua dependente do bolsonarismo.

Publicidade

É a mesma situação enfrentada pelos demais presidenciáveis da direita – Romeu Zema (NOVO), governador de Minas Gerais, Ronaldo Caiado (União-Brasil), governador de Goiás, e Ratinho Júnior (PSD), governador do Paraná. Sem falar dos outsiders que observam tudo à distância sem ainda pôr a cabeça à mostra.

A recente crise da segurança pública devolveu uma nova chance à oposição, acredita Pereira, o cientista político, e repetem os que apostam em uma eleição emocionante, apertada e repleta de surpresas. Poderá ser, sim. Ou não. Porque a crise da segurança finalmente acordou Lula para o que ele fingia ignorar.

Homem de sorte, esse Lula. Beneficiou-se da invasão e depredação da Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro de 2023. Obteve ganhos políticos significativos ao empunhar a bandeira da união nacional. O bolsonarismo sofreu ali um duro golpe. Lula beneficiou-se da descoberta de que os militares quase aderiram ao golpe.

Pela primeira vez na história do Brasil, generais de quatro estrelas, oficiais de alta patente e um ex-presidente da República foram denunciados por tentativa de abolição da democracia, tornaram-se réus e acabaram condenados e presos.  Em breve, Bolsonaro começará a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão.

Por fim, Lula beneficiou-se do tarifaço de Trump e de sua descabida intervenção nos problemas do Brasil. Sua reação imediata foi enrolar-se na bandeira nacional e defender a soberania do país. A direita silenciou ou pendeu para o lado de Trump. Paga até aqui um preço elevado por seu tremendo erro.

Equiparar o crime organizado ao terrorismo é uma indicação de que a direita apelará de novo a Trump por socorro. Não lhe parece haver outro caminho. De um total de 9 eleições presidenciais desde o fim da ditadura militar, a direita ganhou 4 (1989,1994, 1998 e 2018) e perdeu 5 (2002, 2006, 2010, 2014 e 2022).

 

Todas as Colunas do Blog do Noblat no Metrópoles

Recomendado
Publicidade
Ver matéria completa no site
Página AMP gerada pelo Tupa AMP Pro com componentes válidos para AMP. Scripts comuns do tema são bloqueados nesta versão para reduzir erros de validação.