Letícia Rodrigues ainda está tentando assimilar a virada que sua carreira deu com a série “Tremembé”, fenômeno de audiência no Prime Video. A personagem Sandrão, vivida por ela, rapidamente se tornou um dos nomes mais comentados nas redes sociais — e também nas ruas. “Ontem fui ao McDonald’s e percebi um grupo de adolescentes cochichando. Não me abordaram, mas senti que talvez tenham me reconhecido”, conta, rindo.
Nas redes, o impacto é ainda mais evidente. Letícia relata que não dá conta de responder todas as mensagens. “Gosto de retribuir o carinho, mas estou perdendo a mão nesse momento”, admite, entre risos.
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Apesar de sempre acreditar no potencial da série, Letícia confessa que não esperava tanta comoção em torno do seu trabalho. “Sempre sonhei ser reconhecida pelo esmero que tenho com tudo que faço. Estou vivendo o que todo artista independente deseja: ter seu trabalho notado”.
O papel de Sandrão veio por meio de testes, comandados pelos diretores de elenco Anna Luiza Paes e Alonso Zerbinatto. Primeiro, ela enviou um vídeo. Depois, encarou uma segunda fase com Vera Egito.
Ao receber o roteiro, Letícia percebeu que não se tratava de uma personagem qualquer: “Não imaginava o poder e a liderança que ela teria ali dentro de Tremembé.” Para dar vida à personagem, ela mergulhou fundo no contexto da série e buscou o distanciamento necessário para humanizá-la. “Mesmo sendo tão distante de mim, empresto minha humanidade para dar voz ao que o roteiro criou”.
A atriz revelou que, para uma das cenas-chave da Sandrão, se baseou em uma entrevista real ao Gugu. “Ali, mimetizei tudo: olhar, postura, voz. O restante foi uma construção coletiva com elenco, direção, arte, figurino e preparação”. Para lidar com a carga emocional das gravações, Letícia voltou à psicoterapia: “Precisava organizar minha mente para conseguir surfar nesse grande mar que é Tremembé”.
A cena mais difícil? A reconstituição do crime, gravada ao longo de três diárias em um frio intenso de São Paulo. “Fiquei doente por uma semana. Meu corpo não entendeu que fabriquei aquelas emoções. Foi como se ele tivesse vivido o trauma”, conta.
Com um visual marcante, Sandrão também chamou atenção pela estética. Letícia participou ativamente da construção visual da personagem, junto da caracterizadora Britney Federline e da figurinista Flávia Lhacer. “Fico feliz quando as pessoas se chocam ao me ver na vida real. Significa que a personagem marcou”, se anima.
A resposta dos fãs tem sido intensa. “Querem me ver em novelas, filmes, séries… Isso me deixa muito feliz. É o que mais queria”. Alguns comentários a emocionam profundamente — principalmente os de quem a acompanha há anos e celebra agora sua vitória. “É como se celebrassem comigo”. Outros, nem tanto. “As cantadas são o lado inusitado”, ri.
Antes de ser reconhecida como atriz, Letícia largou a faculdade de engenharia química para estudar dança e teatro. “São 17 anos desde essa escolha. Me pergunto se fiz certo todos os dias, mas hoje estou muito feliz por ter persistido.”
Apesar da repercussão, Letícia ainda mantém os pés no chão. “Ainda trabalho com coisas fora da arte para viver. Mas acredito que esse momento vai chegar”. Ela ainda não se vê totalmente vivendo da arte — pelo menos financeiramente —, mas reconhece que está mais próxima disso do que nunca. E os desejos para o futuro? “Quero interpretar tudo: uma cantora em cinebiografia, uma mulher poderosa na política, fazer mais terror e drama. Eu consumo isso e quero viver isso como atriz”.
Fora dos sets, Letícia busca equilíbrio nas tarefas mais simples: lavar louça, cuidar dos cães, conversar com os pais ou amigas de infância. “A concretude da vida e das relações me ajuda a fincar o pé no chão. Tenho a maior fé do mundo de que vou continuar podendo me chamar de atriz. Eu acredito”.