Andressa Nátila Raulino Oliveira, de Jaguaruana, no interior do Ceará, ficou conhecida em todo o país como “Zeza dos Teclados” após viralizar nas redes sociais por ter a voz extremamente semelhante à do cantor Zezo. Hoje, com mais de 300 mil seguidores no Instagram, ela soma apresentações, participações em programas de TV e projeção nacional — tudo isso enquanto enfrenta ataques preconceituosos por ser uma mulher trans.
Zeza conta que Zezo sempre foi sua maior referência desde a infância. Além de cantar em bares, feiras e eventos, ela já participou do programa de Patrícia Abravanel no SBT, apareceu nos stories de Carlinhos Maia e deve conhecer seu ídolo pessoalmente na próxima sexta-feira (21), durante o FestBerro 2025, em Tauá.
No momento da entrevista ao Diário do Nordeste, Zeza estava na Delegacia de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou Orientação Sexual (DECRIN), onde denunciou ataques recebidos recentemente no Instagram. Ela afirma ser alvo constante de preconceito, tanto de internautas quanto de outros músicos.
“Eu sofro ataques de haters, isso é normal, mas também recebo muita discriminação de artistas. Acho que alguns se incomodam ao ver meu sucesso”, desabafou.
A origem do talento
A relação de Zeza com a música começou cedo. Quando pequena, em Jaguaruana, improvisava instrumentos com latas de leite e tentava acompanhar músicas de forró. Autodidata, aprendeu partituras, cantou na banda municipal e se apaixonou pelo teclado após ver um músico tocar na igreja. Seu pai, Elieudes Alves — seu maior incentivador — prometeu comprar um teclado quando a família se mudasse para Fortaleza.
Pai e filha trabalharam juntos em uma olaria para juntar dinheiro até conseguir realizar o sonho. Aos 14 anos, ela ganhou seu primeiro teclado.
Já na capital, enquanto o pai trabalhava em fábrica, Zeza e o irmão vendiam coco e picolé na Praia do Futuro. Nas barracas, ela ouvia as músicas de Zezo e se inspirava ainda mais no cantor. Pouco a pouco, começou a cantar em barracas e eventos, chegando a se apresentar no Rio de Janeiro.
Durante a pandemia, com a paralisação dos shows, Zeza decidiu iniciar sua transição de gênero. Foi um período difícil: perdeu oportunidades, enfrentou preconceito e chegou a cogitar abandonar a música. Colocou seu teclado à venda por R$ 4 mil, acreditando que precisaria começar outra carreira.
Mas o destino mudou quando o comprador do teclado, morador de Mulungu, percebeu seu talento e a indicou para cantar na tradicional feira de Baturité — um lugar onde Zeza sempre sonhou em se apresentar.
A virada: vídeos viralizam e o nome “Zeza” nasce
Em 2024, vídeos de suas apresentações na feira viralizaram nas redes sociais cearenses. Nos comentários, internautas começaram a chamá-la de “Zeza” pela semelhança vocal com o cantor potiguar. No início, ela rejeitava o apelido — queria ser reconhecida como “Nátila Show” — mas logo percebeu que o nome artístico abriu portas.
O sucesso explodiu quando Zeza ganhou destaque no Kwai e, pouco depois, foi chamada para o Show dos Calouros, no SBT. Em seguida, recebeu convite para conhecer a casa de influenciadores de Carlinhos Maia. Em apenas 24 horas, conquistou 150 mil novos seguidores.
Desafios e reconhecimento
Mesmo com o sucesso nacional, Zeza lembra que muitos artistas cearenses recusaram dividir o palco com ela. “Tive decepções com artistas que eu admirava. Cantava músicas deles, mas nunca me chamavam para cantar junto”, comentou, sem citar nomes.
Ainda assim, as conquistas continuaram. Recentemente, Zeza recebeu um convite de Tirullipa para integrar uma casa de influenciadores durante o FestBerro 2025 — um dos principais eventos de forró e sertanejo do Ceará, que acontece de 19 a 22 de novembro em Tauá.
Ela planeja, durante o festival, realizar um dos maiores sonhos da vida: cantar ao lado de Zezo, sua inspiração desde criança.