Grupos de caminhoneiros de diferentes estados têm usado redes sociais para organizar uma paralisação nacional marcada para esta quinta-feira (4/12). A iniciativa, porém, não reúne consenso entre lideranças tradicionais do setor e entidades representativas. Na terça-feira (2/12), Franco Dal Maro, conhecido nas estradas como Chicão Caminhoneiro e ligado à União Nacional dos Caminhoneiros, esteve no Palácio do Planalto para formalizar um documento com reivindicações da categoria. Segundo ele, o movimento ganhou força após a falta de respostas do governo a demandas antigas.
Em vídeo divulgado após a entrega do material, Chicão afirmou que a mobilização está sendo construída dentro do que determina a Constituição. “Estamos fazendo dentro da legalidade, protocolando na Presidência da República, conforme estabelece o direito de greve citado na Constituição brasileira”, declarou.
Ele esteve acompanhado do desembargador aposentado do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT), Sebastião Coelho, que também tem prestado apoio ao grupo. Pré-candidato ao Senado pelo Novo no Distrito Federal, Coelho disse que sua presença tem caráter jurídico. “Estamos aqui para dar apoio jurídico ao movimento e, mais tarde, daremos mais informações”, afirmou.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Caminhoneiros paralisaram as estradas no dia da eleição presidencial em protesto contra a vitória de Lula em 2022Divulgação: Polícia Rodoviária Federal Reprodução Internet
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O documento protocolado reúne uma série de reivindicações voltadas à regulamentação da atividade, à proteção social dos trabalhadores e ao acesso a crédito. Entre os pontos: atualização do piso mínimo do frete, revisão do marco regulatório, facilitação para regularização de autônomos, linha de crédito de até R$ 200 mil mesmo para negativados, isenção de IPI para renovação da frota e expansão dos pontos de parada previstos em lei.
Há ainda medidas mais estruturais, como a defesa da criação de um sistema judiciário especializado em questões do transporte e a destinação de uma fatia das cargas de estatais para caminhoneiros autônomos.
Apoio político e convocação por anistia
Embora Chicão negue motivações partidárias e peça que a paralisação respeite a legislação e o direito de ir e vir, uma das vozes mais influentes ao lado do grupo tem ido em direção oposta.
Sebastião Coelho divulgou recentemente um vídeo no qual convoca apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro para uma paralisação geral pela aprovação de uma anistia ampla aos investigados pelos atos de 8 de janeiro. Ele afirmou que apenas serviços essenciais não poderiam parar. “Paralisação: este é o caminho que nos restou”, disse, apostando em uma adesão gradual de setores.
Categoria dividida
Apesar da movimentação nas redes, entidades de grande representatividade dizem não reconhecer formalmente a convocação. A Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), que integra federações e sindicatos de todo o país, declarou que não recebeu nenhum comunicado oficial.
Outra figura conhecida do setor, Wallace Landim — o Chorão, liderança da greve de 2018 — também se distanciou da paralisação. Segundo ele, a iniciativa teria sido contaminada por disputas políticas.
“É uma pauta do transporte, sim, só que estão levantando esse movimento com a questão política, para defender político A ou B – no caso, para defender o Bolsonaro. Eu não posso usar a categoria para isso”, declarou em vídeo.
Paralização de 2018
A mobilização de 2018 ainda ecoa entre caminhoneiros e empresários. Naquele ano, a paralisação de dez dias provocou desabastecimento generalizado, impactou a produção industrial e interrompeu o fluxo de cargas em praticamente todo o território nacional. Após intensa pressão, o governo federal implementou subsídio ao diesel e criou a tabela de frete.
Agora, com parte da categoria novamente insatisfeita, cresce a tensão sobre o alcance da nova convocação — ainda indefinida, mas cercada por disputas internas e debates políticos que vão além das estradas.