A Globo estuda a possibilidade de reprisar a minissérie “Maysa: Quando Fala o Coração” como forma de homenagear Manoel Carlos, que morreu recentemente. A ideia ainda está em fase de avaliação interna e passa, principalmente, por questões de direitos autorais e de licenciamento musical, indispensáveis para uma exibição em TV aberta.
Nos bastidores, o entendimento é que a minissérie se encaixa bem no momento atual da grade. Por ser uma obra curta, com poucos capítulos, “Maysa” poderia entrar no ar rapidamente e funcionar como um produto “coringa” para o período de ajustes da programação — especialmente entre o “BBB” e o Carnaval, quando a grade costuma sofrer mudanças constantes, cortes, alongamentos e remanejamentos de horário.
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Esse tipo de reprise ajuda a Globo a “sanduichar” a programação até o início de uma nova fase mais estável, evitando buracos na grade e reduzindo a necessidade de estreias ou formatos inéditos em um período naturalmente instável do calendário televisivo.
Por ora, o que existe é estudo. A emissora analisa custos, viabilidade jurídica e liberação de conteúdos; principalmente músicas e direitos conexos , antes de tomar qualquer decisão definitiva sobre a exibição.
O cenário, no entanto, é sensível. Além do impacto da morte de Manoel Carlos, pesa o fato de que a família do autor mantém atualmente um processo contra a Globo, o que torna qualquer movimento envolvendo obras associadas ao nome do Maneco ainda mais delicado. Essa disputa judicial não impede automaticamente reprises, mas exige cautela redobrada por parte da emissora.
Se avançar, a reapresentação de “Maysa: Quando Fala o Coração” teria dupla função: prestar homenagem a um dos maiores autores da teledramaturgia brasileira e, ao mesmo tempo, servir como solução estratégica para um período em que a programação precisa ser constantemente recalibrada. Por enquanto, tudo segue no campo das conversas e análises internas sem martelo batido.