O prefeito de Rio Branco, Sebastião Bocalom, não contará com o PL (Partido Liberal) como legenda para a disputa eleitoral de 2026. Mesmo diante da negativa, o gestor da capital acreana mantém o anúncio de sua pré-candidatura ao Governo do Acre, marcado para esta segunda-feira, às 9h, no auditório da Associação Comercial, Industrial, de Serviço e Agrícola do Acre (Acisa).
A decisão do partido foi comunicada diretamente pelo presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, durante um encontro em Brasília. A reunião ocorreu fora da agenda institucional do prefeito e não foi divulgada por sua assessoria. O posicionamento da cúpula liberal foi claro e sem margem para negociação.
Apesar disso, Bocalom deve se limitar a confirmar sua intenção de concorrer ao Palácio Rio Branco, sem anunciar, por ora, qual legenda poderá abrigar sua candidatura. Nos bastidores, a alternativa mais viável seria a filiação a um partido de menor expressão, ainda que com estrutura reduzida. A desistência da disputa, segundo interlocutores, não está nos planos do prefeito.
O calendário eleitoral impõe um prazo decisivo ao gestor. Até o dia 4 de abril, data-limite para renúncia ao cargo, Bocalom precisará optar entre permanecer no PL — o que significaria abandonar o projeto de candidatura ao governo — ou migrar para outra sigla.
A articulação junto à direção nacional do PL teve como objetivo garantir apoio para disputar a sucessão do governador Gladson Cameli com o respaldo do bolsonarismo mais conservador, incluindo o senador Flávio Bolsonaro, apontado como nome da família Bolsonaro para a disputa presidencial de outubro contra o presidente Lula.
No entanto, Valdemar da Costa Neto e Flávio Bolsonaro deixaram explícita a prioridade do partido no Acre: a reeleição do senador Márcio Bittar. A estratégia foi apresentada como inegociável pela direção nacional da legenda.
O fortalecimento da bancada liberal no Senado Federal integra o plano da direita conservadora para ampliar sua influência institucional, com foco em futuras indicações ao Supremo Tribunal Federal e na tentativa de reverter a situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado e preso no Complexo da Papuda.
A resposta do PL frustrou as expectativas de Bocalom, que deixou o encontro visivelmente contrariado. O prefeito acreditava que a defesa pública feita ao ex-presidente em Rio Branco poderia fortalecê-lo politicamente dentro do partido, o que acabou não se confirmando.