Após o “festival de equívocos” que se tornou o remake de “Vale Tudo”, a emissora decidiu puxar o freio de mão na próxima trama de Manuela Dias. A coluna apurou, com exclusividade, que o projeto da autora, que já estava na esteira para o final de 2027, foi escanteado. Quem assume a vaga é Bruno Luperi, com a aguardada adaptação de “Arroz de Palma”.
A estratégia da cúpula da Globo é clara: alternância de clima. Depois do furacão que promete ser “Avenida Brasil 2” — a “carioquíssima” e urbana sequência de João Emanuel Carneiro —, a Inteligência de Mercado da emissora detectou que o público estará saturado de asfalto, gritaria e vingança.
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O hiato desde “Terra e Paixão” e “Renascer” foi considerado o tempo ideal de “descanso” para o telespectador sentir saudade daquele clima de novela “do campo”. É aí que entra Luperi, o queridinho das sagas familiares de época, que dá continuidade ao legado do avô, Benedito Ruy Barbosa.
O projeto de “Arroz de Palma” é uma lenda urbana nos corredores da Globo. Já foi cotado para a faixa das seis, já quase foi realocado para o Globoplay, mas nunca saiu do papel — até agora. Baseada no best-seller de Francisco Azevedo, a trama é um prato cheio para quem gosta de melodrama.
Tudo começa com o casamento de José Custódio e Maria Romana em Portugal, no início do século passado. Um punhado de arroz, jogado nos noivos, é recolhido e guardado como uma relíquia mística. Esse arroz atravessa cem anos de história da família no Brasil, servindo de fio condutor para nascimentos, mortes e reconciliações. É o puro suco do “estilo Benedito Ruy Barbosa”: uma narrativa contemplativa e carregada de emoção.
Luperi terá a missão de manter os índices de “Avenida Brasil 2” usando a arma favorita da tradição brasileira: a família. Resta saber se o público vai aceitar bem essa volta ao campo ou se o arroz vai acabar passando do ponto.