Às vésperas de completar 40 anos, Camila Olivieri vive um momento de consolidação artística. No ar na reta final de “Dona de Mim”, na qual interpreta Lorena — funcionária da Boaz e moradora de São Cristóvão que se une a outras mulheres na luta por melhores condições de trabalho —, a atriz faz um balanço intenso de sua trajetória, marcada por persistência, formação contínua e um compromisso claro com a arte como instrumento de transformação social.
“Eu sempre quis fazer televisão não só porque cresci assistindo novela, mas porque sei da importância que a novela tem na construção da nossa cultura e no comportamento da nossa sociedade”, afirma. “Eu venho do povo, me forjei na cultura popular e de massa, e é para o povo que quero me comunicar”, complementa a atriz.
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“Dona de Mim” foi, segundo Camila, seu trabalho mais longo na televisão até hoje. “Nunca havia trabalhado numa obra tão longa. No final, quando as gravações ficaram quase diárias para mim, encontrei a Clara Moneke no camarim e bati palma pra ela. Nem imagino como deve ser a vida de uma protagonista durante tanto tempo”, relembra, com admiração.
A atriz também destaca a importância de a novela abordar temas sensíveis e relevantes, algo que atribui diretamente à autora, Rosane Svartman, com quem trabalha pela segunda vez. “Admiro muito o trabalho da Rosane. Gosto que ela não tem medo de ser provocadora, ousada, de abordar temas polêmicos e, ao mesmo tempo, trazer para o produto mais popular que temos elementos do teatro e da literatura, que muitas vezes são vistos como algo distante”, explica Camila.
Nascida, criada e ainda moradora do subúrbio do Rio de Janeiro, a atriz descobriu sua vocação ainda criança. Estreou profissionalmente aos 7 anos e construiu uma trajetória que passa por uma década de atuação no grupo Nós do Morro. “O Nós do Morro foi fundamental. Tenho formação acadêmica, mas nenhum lugar teve um impacto tão grande na minha construção artística”, diz ela. “Foi lá que tive acesso ao teatro de forma gratuita, aprendi disciplina, trabalho coletivo, a artesania do teatro de grupo. Também precisei aprender a ser forte e perseverante. Ampliou muito a minha visão de mundo”, avalia a atriz.
Com passagens por produções como “A Força do Querer”, “Malhação”, “Sob Pressão” e o sitcom “Tô de Graça”, além de trabalhos no streaming (“Vicky e a Musa”, “Brasil Imperial”, “Juntas e Separadas”) e no cinema (“De Pernas pro Ar 3”, “Partiu Fama”), Camila viveu em 2025 um mergulho intenso no audiovisual — e quer mais.
“Esse último ano no audiovisual me deu um gostinho de quero mais”, confessa. Para 2026, os planos incluem uma participação em uma nova série escrita por Thalita Rebouças, prevista para estrear no Globoplay, além do retorno ao teatro. “O teatro é o lugar para onde eu sempre quero voltar”, garante.
Ao olhar para trás, Camila resume sua jornada com consciência. “Eu não tinha noção do quanto esse lugar da arte não foi feito para pessoas como eu. Mas talvez, se tivesse tido essa percepção clara, tivesse desistido. Hoje, entendo que ‘fazer meu nome’ é ocupar espaços e abrir caminhos para quem vem depois”, finaliza Camila.