Do Oriente Médio à América Latina: entenda como os EUA bombardearam 7 países em 1 ano de Trump

Do Oriente Médio à América Latina: entenda como os EUA bombardearam 7 países em 1 ano de Trump

A intervenção militar dos Estados Unidos na Venezuela, anunciada neste fim de semana, reacendeu o debate sobre a política externa americana no segundo mandato de Donald Trump. A operação, conduzida na madrugada de sábado (3/1), em Caracas, não é um episódio isolado. Ela integra uma sequência de ações militares realizadas pelos EUA ao longo dos últimos doze meses, período que marca o primeiro ano do novo governo Trump.

Desde que reassumiu a presidência, Trump autorizou bombardeios em pelo menos sete países, distribuídos entre o Oriente Médio, a África e, mais recentemente, a América Latina.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Donald Trump, presidente dos EUAReprodução: YouTube/ABC News Donald TrumpReprodução: Tampa Bay News Donald TrumpReprodução: CNN Brasil

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A mudança de discurso e a nova doutrina

A guinada na política externa americana foi sinalizada ainda no início do mandato. Durante a Conferência de Segurança de Munique, o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, resumiu o novo momento ao afirmar que “tem um novo xerife na cidade”, em referência direta a Trump.

Segundo especialistas, a nova abordagem rompe com pilares tradicionais da diplomacia multilateral. A doutora em Direito Internacional Priscila Caneparo explicou ao g1 que a mudança parte de uma visão mais centralizadora do papel americano no mundo.

“A partir do momento que o Trump sobe ao poder, ele começa a ver que as políticas europeias não se coadunam com aquilo que ele quer para o mundo. Ele não acredita mais nas organizações internacionais e tende a levar justamente ao pensamento dos anos 80, da década de 80, de que os Estados Unidos têm que ter o controle da paz e da segurança mundial”, disse.

Uma estratégia anunciada oficialmente

No mês passado, a Casa Branca apresentou uma nova estratégia de segurança nacional. O governo classificou o plano como uma “correção de rumos”, afirmando que a política externa passaria a ter foco prioritário na América Latina e na Ásia.

Embora o documento destaque uma predisposição ao não intervencionismo, ele também estabelece que a demonstração de força militar pode ser utilizada como instrumento para alcançar a paz e garantir interesses estratégicos dos Estados Unidos.

Os sete países atingidos

Dentro desse novo contexto, os Estados Unidos executaram bombardeios em sete países ao longo do último ano: Venezuela, Síria, Iraque, Irã, Nigéria, Iêmen e Somália.

No Irã, em junho, a ofensiva teve como alvo três instalações nucleares. A operação envolveu a Marinha e a Força Aérea americanas e teve como objetivo conter o desenvolvimento de armas de destruição em massa pelo país persa.

No Iêmen, os EUA lançaram uma ofensiva contra os rebeldes Houthis, em resposta aos ataques do grupo a embarcações comerciais no Mar Vermelho. Segundo o próprio Trump, a missão visava proteger o fluxo do comércio global.

Já na Síria e na Nigéria, os bombardeios miraram instalações ligadas ao Estado Islâmico, organização extremista com atuação tanto no Oriente Médio quanto no continente africano.

A lógica por trás das intervenções

De acordo com Priscila Caneparo, as ações seguem uma lógica de intervenção pontual, sem envolvimento prolongado em conflitos armados.

“Os objetivos principais das intervenções que o Trump faz não são a manutenção de uma guerra, e não é fazer com que os Estados Unidos se envolvam diretamente no conflito, mas sim pontuar em alguns centros estratégicos, que ali vai ser um centro de influência dos Estados Unidos ou de grandes aliados”, afirmou.

Reação internacional e cautela europeia

A política externa de Donald Trump, marcada por decisões unilaterais, é observada com cautela por líderes europeus. Embora não haja apoio declarado às ações militares, também não há enfrentamento direto ao presidente americano, considerado um parceiro estratégico em negociações globais sensíveis.

Essa postura se reflete, por exemplo, nas tratativas de cessar-fogo em Gaza, onde assessores próximos a Trump tiveram participação relevante, e nas negociações em torno do conflito na Ucrânia.

Conflitos em curso e o papel dos EUA

A guerra iniciada pela Rússia há quatro anos reacendeu na Europa o temor de um conflito continental capaz de redesenhar fronteiras pela força (cenário que muitos consideravam superado desde o fim da Segunda Guerra Mundial).

Nesse contexto, os Estados Unidos voltaram a exercer papel central como mediadores, ao mesmo tempo em que ampliam sua presença militar indireta em diferentes regiões do mundo.

Uma nova forma de intervenção

Ao longo da campanha e do primeiro mandato, Trump criticou duramente seus antecessores por, segundo ele, arrastarem os Estados Unidos para guerras prolongadas. No segundo mandato, porém, o presidente passou a adotar uma estratégia própria de intervenção.

Uma política que, alinhada ao novo plano de segurança nacional, trata a paz não apenas como objetivo diplomático, mas também como oportunidade estratégica e de negócios no cenário internacional.

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Tags: EUAGeopolíticaPOLÍTICAtrump