Live durante operação policial causa indignação e entra na mira do Ministério Público

Coletiva foi concedida nesta terça-feira/Foto: ContilNet

A operação “Casa Maior”, deflagrada nesta terça-feira (13) para o enfrentamento do crime organizado no Acre, foi marcada por uma situação considerada grave pelas autoridades: uma tentativa de exposição indevida que poderia ter colocado em risco a segurança e a efetividade da ação policial.

A informação foi confirmada pelo promotor de Justiça Bernardo Albano, coordenador do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado (Gaeco), ao comentar a conduta do juiz aposentado de Rio Branco, Edinaldo Muniz, que teria divulgado informações sensíveis sobre a operação durante sua fase inicial.

Segundo Albano, o episódio ocorreu ainda no momento do briefing, etapa em que as equipes policiais se reúnem para receber orientações estratégicas antes do cumprimento dos mandados judiciais.

“Infelizmente, tivemos uma intercorrência durante o briefing, quando fazemos a exposição dos objetivos da operação para as equipes”, explicou o promotor.

De acordo com o coordenador do Gaeco, o juiz aposentado — que atualmente atuaria como blogueiro — realizou uma transmissão ao vivo nas redes sociais, expondo a concentração policial e colocando em risco o cumprimento dos mandados expedidos pela Justiça do Acre.

“Esse senhor resolveu fazer uma live expondo a concentração policial, o que poderia comprometer a efetividade da operação e colocar em risco a segurança dos policiais envolvidos”, declarou Albano.

O promotor afirmou que a atitude causou surpresa e indignação, especialmente pelo fato de o envolvido ser um ex-integrante do sistema de Justiça.

“Não se sabe até o momento qual foi a motivação dessa pessoa. Trata-se de um juiz aposentado, alguém que se presume conhecedor da lei. É um desserviço ao interesse público e ao trabalho de uma operação que foi planejada ao longo de anos e envolve a segurança de dezenas de policiais”, enfatizou.

Questionado sobre possíveis providências, Bernardo Albano informou que a conduta será analisada pelo Ministério Público, que poderá adotar as medidas cabíveis, caso sejam constatadas irregularidades.

Apesar do episódio, o promotor destacou que a operação transcorreu de forma tranquila e sem a necessidade de uso da força, mesmo diante de alvos considerados de alta periculosidade.

“A deflagração ocorreu com extremo profissionalismo. Não houve necessidade de disparos ou qualquer tipo de uso da força, e todas as equipes atuaram dentro dos protocolos estabelecidos”, concluiu.

Fonte:ContilNet

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