A Venezuela, invadida neste sábado (3/01) por forças dos Estados Unidos em uma operação que resultou na captura do ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores, atravessa um dos períodos mais críticos de sua história recente. No centro desse colapso está um dado que resume a deterioração do país e a situação de miséria do seu povo: o salário mínimo venezuelano equivale hoje a menos de R$ 3 por mês, um dos menores valores do mundo.
O agravamento da crise econômica voltou a se refletir com força no cotidiano da população justamente no momento em que o país enfrenta uma escalada militar e diplomática com os Estados Unidos. O salário mínimo, congelado desde março de 2022, permanece fixado em 130 bolívares e perdeu ainda mais poder de compra nas últimas semanas, acompanhando a desvalorização acelerada da moeda nacional frente ao dólar.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Nicolás MaduroRicardo Stuckert / Presidência da República Donald Trump e Nicolás MaduroInternet Reprodução Nicolás MaduroReprodução: Internet Trump anuncia que EUA vão assumir administração da VenezuelaFoto/Fox Donald Trump, presidente dos EUAReprodução: YouTube/ABC News
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O bolívar entrou em mais um ciclo de queda, pressionado pela escassez de reservas, pela instabilidade política e pela dependência crescente do dólar como referência de preços. Apenas em novembro, a moeda venezuelana acumulou desvalorização de 8,8% em relação à divisa americana. No último dia útil do mês, a cotação oficial chegou a 245,66 bolívares por dólar, frente aos 223,96 registrados no início do período.
Em 10 de dezembro, o salário mínimo passou a equivaler a cerca de R$ 2,72 por mês, valor próximo de meio dólar, segundo a cotação oficial do Banco Central da Venezuela, que registrou o dólar a 262 bolívares. Os números escancaram a dimensão da deterioração cambial: desde janeiro, o bolívar acumula perda de 78,8% frente ao dólar, enquanto a moeda americana ficou 372,2% mais cara ao longo de 2025.
Neste sábado, a cotação dos 130 bolívares atingiu míseros R$ 2,39.
O impacto é imediato na vida da população. Preços são reajustados com frequência crescente, o acesso a itens básicos se torna mais restrito e a renda fixa perde valor semana após semana. Mesmo em estabelecimentos que tentaram adotar o euro como alternativa de precificação, a lógica permanece a mesma: qualquer valorização das moedas estrangeiras resulta em novos aumentos e maior perda de poder de compra.
Esse cenário econômico extremo se sobrepõe agora a uma ruptura política inédita. A operação militar norte-americana realizada neste sábado resultou na deposição do regime que esteve no poder por 12 anos. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que forças americanas conduziram um ataque de grande escala no território venezuelano, culminando na captura de Maduro e de sua esposa.
Enquanto a crise política ganha dimensão internacional, a realidade cotidiana da população permanece marcada pela escassez e pela instabilidade. Para muitos venezuelanos, a crise cambial deixou de ser apenas um indicador econômico e passou a representar, de forma direta, a impossibilidade de garantir o básico para sobreviver ao longo do mês.