OMS atualiza alerta sobre vírus Nipah na Índia e aponta diferenças em relação à Covid-19

OMS atualiza alerta sobre vírus Nipah na Índia e aponta diferenças em relação à Covid-19

A Organização Mundial da Saúde (OMS) voltou a se pronunciar sobre o vírus Nipah após a confirmação de dois casos recentes na Índia e aproveitou o comunicado para esclarecer diferenças fundamentais entre o NiV e o coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19.

Os diagnósticos ocorreram no estado de Bengala Ocidental, no leste do país, e envolvem dois profissionais de saúde. Segundo o Ministério da Saúde indiano, um homem apresenta evolução clínica positiva, enquanto uma mulher permanece internada em estado grave. Até agora, não foram identificados casos secundários nem evidências de transmissão para outras pessoas.

Veja as fotosAbrir em tela cheia Vírus Nipah O Nipah (NiV) tem como principal reservatório natural morcegos frugívoros do gênero Pteropus.Foto: brydyak/Freepik

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Surto de vírus letal coloca a Índia em estado de alerta; entenda os riscos da infecção

Em nota divulgada nesta quinta-feira (29/1), a OMS afirmou que a situação segue sob controle e não representa ameaça elevada à saúde pública. A avaliação atual da entidade aponta risco baixo nos níveis nacional, regional e global. O documento reforça que “não há evidências de aumento da transmissão de pessoa para pessoa”.

A organização também destacou que a Índia “demonstrou sua capacidade de gerenciar surtos de Nipah em eventos anteriores, e as medidas de saúde pública recomendadas estão sendo implementadas em conjunto por equipes de saúde nacionais e estaduais”.

Apesar da avaliação geral favorável, a OMS classificou o risco em Bengala Ocidental como moderado. A decisão leva em conta a presença de morcegos frugívoros, considerados reservatórios naturais do vírus, na região. Ainda assim, o órgão internacional avalia como baixa a possibilidade de disseminação para outros estados indianos ou para fora do país.

Nipah x Covid-19
O novo comunicado reacendeu comparações com a pandemia de Covid-19, mas especialistas ouvidos reforçam que, apesar de ambos serem vírus emergentes e potencialmente graves, suas dinâmicas de transmissão e impacto populacional são bastante distintas.

Essas diferenças explicam por que o cenário atual não indica risco de uma pandemia nos moldes da causada pelo coronavírus, embora o monitoramento continue sendo essencial.

A principal distinção está na forma de contágio. “A infecção pelo Nipah Vírus requer contato mais íntimo e prolongado, relacionado aos fluidos corporais e frutas contaminadas pelo morcego regional dos locais onde há casos, por exemplo”, explica Fernando Dias e Sanches, pesquisador da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), especializado no estudo do NiV.

O padrão é oposto ao do SARS-CoV-2, que se dissemina com facilidade pelo ar, por meio de aerossóis, o que favorece surtos de grande escala.

Outro fator determinante apontado pelos especialistas é a elevada taxa de letalidade do Nipah. “Os pacientes morrem antes de conseguirem transmitir a doença”, destaca o virologista Benedito Fonseca, professor da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP) e consultor da Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).

Nos estágios iniciais, a infecção pode se assemelhar a um quadro gripal, mas costuma evoluir rapidamente para formas graves, incluindo encefalite, comprometimento neurológico, alterações vasculares e insuficiência respiratória.

Essa combinação torna o vírus altamente letal — com taxas estimadas entre 40% e 75%, dependendo da rapidez do diagnóstico e da assistência médica — e, ao mesmo tempo, menos eficiente em se espalhar.

A própria distribuição geográfica limitada do vírus também pesa na avaliação de risco. Desde sua identificação, em 1999, os surtos permanecem concentrados no sudeste asiático. “Surtos foram concentrados no sudeste asiático, onde existem os reservatórios naturais [morcegos do gênero Pteropus]”, observa Dias e Sanches.

Historicamente, os registros se concentram principalmente na Índia e em Bangladesh, geralmente em eventos pontuais ou pequenos agrupamentos de casos.

De acordo com a OMS, a transmissão entre humanos é rara e costuma ocorrer apenas em ambientes hospitalares ou entre contatos familiares próximos. Até o momento, não há relatos de disseminação internacional associada a viagens.

Fonseca também chama atenção para a menor capacidade de adaptação do Nipah aos seres humanos. No primeiro surto conhecido, a transmissão ocorreu após morcegos infectarem porcos, que então transmitiram o vírus às pessoas. Já o coronavírus “não necessitou de um outro reservatório animal para manter a alta transmissão da doença”, explica o virologista.

A expectativa é que o Nipah não desenvolva essa mesma adaptação, embora o especialista faça uma ressalva: “essa é uma doença nova e não sabemos, com certeza, para quantas pessoas um paciente infectado com o Nipah pode transmitir o vírus”. Até agora, segundo ele, a probabilidade segue considerada baixa.

Prevenção
Sem vacina licenciada ou tratamento específico disponível, o enfrentamento do Nipah depende principalmente de diagnóstico precoce e cuidados de suporte, incluindo internação em unidades de terapia intensiva para tratar complicações respiratórias e neurológicas graves.

Por isso, a OMS reforça a importância das medidas de prevenção e controle de infecções, sobretudo nos serviços de saúde, além da conscientização da população. Entre as orientações estão o uso de equipamentos de proteção ao lidar com animais doentes, a redução do contato desprotegido com pessoas infectadas, a higienização frequente das mãos e a adoção rigorosa de protocolos de segurança em ambientes hospitalares.

Ao final do comunicado, a entidade afirmou que segue atuando em parceria com autoridades nacionais e estaduais da Índia “para apoiar a avaliação de riscos, a vigilância e os esforços de resposta a surtos”.

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Tags: OMSSAÚDEvírus nipah