A repercussão em torno da entrada de Babu Santana no “Big Brother Brasil 26” escancarou uma ferida que a Globo evita discutir: o reality não tem sido, para atores e atrizes, uma porta de retorno profissional, mas, muitas vezes, um atestado público de falta de oportunidades.
Após ser um dos participantes mais populares do “BBB 20”, Babu não conseguiu emplacar papéis relevantes em novelas ou séries. O ator saiu do programa ovacionado, com forte identificação do público, mas não encontrou na dramaturgia da emissora uma continuidade à altura do prestígio conquistado. Os trabalhos vieram, sim, mas poucos e pequenos. E agora, seis anos depois, o “BBB” reaparece como alternativa.
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O ponto central não é julgar Babu por aceitar voltar ao reality. O problema é o sistema. A Globo vende o “BBB” como vitrine, mas na prática não transforma essa visibilidade em projetos consistentes para atores que já tinham carreira antes do confinamento. A exposição existe. A oportunidade real, não.
E Babu não está sozinho nessa conta. Carla Diaz entrou no “BBB 21” em um dos momentos mais delicados de sua trajetória, apostando na reconexão com o público e com o mercado. Teve grande repercussão, viveu um dos arcos mais comentados da edição e saiu ainda mais conhecida. Mas, desde então, não recebeu da Globo um projeto que justificasse o tamanho da exposição.
O mesmo vale para Vitória Strada, que se expôs emocionalmente no “BBB 24”, entregou vulnerabilidade, dividiu opiniões e não colheu, até agora, nenhum papel de destaque na dramaturgia da emissora após a experiência.
Já Diogo Almeida também apostou no reality como tentativa de reposicionamento. O saldo? Visibilidade imediata, sim. Mas nenhuma nova chance concreta em bons projetos de novela ou série.
O “BBB” virou um paradoxo para atores: quem entra se expõe demais para um mercado que não parece disposto a recompensar essa entrega. O reality dá audiência, cria narrativa, humaniza, mas também cristaliza rótulos, desgasta imagem artística e, muitas vezes, não abre portas depois que as luzes se apagam.
A verdade é dura: nenhum ator ou atriz que esteve no “BBB” nos últimos anos ganhou, de fato, uma nova chance relevante na Globo por causa do programa. Não houve protagonismo, não houve projetos pensados como retorno artístico, não houve aposta.
O “BBB” funciona muito bem para anônimos. Para atores, tem sido um jogo de alto risco e baixo retorno. E o caso de Babu Santana, agora novamente associado ao reality, apenas reforça uma constatação incômoda: quando o “BBB” vira plano B, é porque o plano A já falhou. Não por falta de talento, mas por ausência de oportunidades reais.