Opinião: Por que Viviane Araújo topou contracenar com Belo em “Três Graças”?

Opinião: Por que Viviane Araújo topou contracenar com Belo em “Três Graças”?

A decisão de Viviane Araújo de aceitar um papel em “Três Graças” vai muito além de uma simples escalação de elenco. Ao topar interpretar Consuelo justamente ao lado de Belo — seu ex-marido, com quem teve uma separação traumática há mais de 20 anos —, a atriz faz um movimento que chama atenção não apenas pelo impacto midiático, mas pelo significado simbólico dentro de sua trajetória artística.

Viviane sempre foi extremamente discreta em relação a esse capítulo de sua vida pessoal. Ao longo de duas décadas, evitou entrevistas sobre o assunto, nunca explorou publicamente o fim do casamento e, mais recentemente, sequer participou do documentário sobre a vida de Belo, mesmo sendo uma figura central em sua história. Sua postura sempre foi a de seguir em frente, sem revisitar feridas em público.

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Justamente por isso, a escolha de viver Consuelo provoca questionamentos naturais nos bastidores e entre o público. Por que aceitar agora um trabalho que inevitavelmente a coloca novamente diante do passado — em cena, nos bastidores e na narrativa pública em torno da novela?

A resposta talvez esteja menos na esfera pessoal e mais na dimensão artística. No meio artístico, não é incomum que atores se submetam a grandes transformações físicas em nome de um papel: há quem raspe a cabeça, engorde, emagreça, mude a voz, a postura, a aparência inteira para servir a um personagem. Em muitos casos, esses sacrifícios são vistos como gestos de entrega à arte — provas de comprometimento com a profissão.

Para Viviane, o sacrifício pode ter sido de outra natureza. Em vez de uma mudança estética, o desafio pode ter sido emocional. Contracenar com o ex-marido, reviver uma dinâmica afetiva em cena e até protagonizar momentos românticos pode representar, para ela, um tipo diferente — e talvez mais profundo — de entrega artística. Não como espetáculo da vida pessoal, mas como demonstração de maturidade profissional.

A escolha sugere uma atriz que deseja ser vista além da biografia. Viviane construiu uma carreira sólida, especialmente na televisão, mas ainda carrega, no imaginário popular, a associação com sua história pessoal com Belo. Ao aceitar esse papel, ela parece fazer o movimento inverso: usa justamente esse passado conhecido para reafirmar que hoje ele está sob controle da atriz — não da mulher.

Não se trata de dinheiro, nem de vaidade simples. Tudo indica uma decisão de posicionamento profissional. Viviane parece dizer, sem discursos, que é capaz de separar vida pessoal e trabalho, emoção e técnica, história real e ficção.

Ao fazer isso, ela se coloca num patamar de atriz que escolhe caminhos difíceis para crescer artisticamente. O que poderia ser apenas um reencontro midiático ganha outra leitura: a de uma intérprete que aceita enfrentar o desconforto em nome da arte.

Se para algumas atrizes o sacrifício é físico, para Viviane Araújo, talvez tenha sido emocional. E, nesse sentido, sua escolha revela não fragilidade, mas força — a de quem transforma uma história sensível em instrumento de amadurecimento profissional. É um gesto silencioso, mas poderoso, de afirmação artística.

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