Uma operação conjunta do Ministério Público do Acre, Vigilância Sanitária, Procon, Polícia Militar e Polícia Civil terminou com prisões em flagrante, toneladas de alimentos apreendidos e um verdadeiro cenário de risco à saúde pública dentro de supermercados de Sena Madureira.
Em entrevista exclusiva ao YacoNews, o promotor de Justiça Dr. Wanderley Barbosa descreveu a situação encontrada como uma das mais graves já vistas por ele durante fiscalizações sanitárias.
Segundo o promotor, quase duas toneladas de produtos impróprios para consumo foram retiradas de circulação, incluindo carne bovina, suína, frango, peixe, ovos e açaí.
Apenas em um dos estabelecimentos, o volume apreendido chegou a 1 tonelada e 475 quilos, sendo necessária uma carreta para transportar todo o material.
“Parecia um necrotério. Sangue escorrendo no chão, carne em cima do sangue, moscas, mau cheiro insuportável. A maior sujeira que já vi na vida”, relatou o promotor.
Durante a fiscalização, um funcionário confessou que parte da carne estragada não era descartada.
Ela era separada para reaproveitamento.
“Ele disse claramente que aquela carne seria usada para fazer linguiça. Moíam, colocavam tempero para mascarar e vendiam”, contou Wanderley.
A carne estava escura, com sinais evidentes de decomposição.
Outro flagrante que revoltou a equipe foi a presença de veneno de rato (chumbinho) armazenado ao lado de caixas de leite abertas.
O produto tóxico poderia contaminar alimentos consumidos por crianças.
“Se uma criança ingerisse aquilo, poderia morrer. É extremamente grave”, afirmou.
Diante das irregularidades, os dois proprietários foram presos em flagrante.
De acordo com o promotor, vender ou armazenar alimentos impróprios é crime previsto na Lei 8.137/90, com pena de 2 a 5 anos de detenção, além de multa.
“Isso não é só infração sanitária. É crime contra a saúde da população. Determinamos a prisão porque não estamos lidando com erro, estamos lidando com irresponsabilidade criminosa.”
Além das prisões, os supermercados devem responder por:
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autos de infração sanitária
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processos administrativos
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investigação criminal conduzida pela Polícia Civil
Fotos, laudos e depoimentos já integram o inquérito.
O promotor reforçou que novas ações devem ocorrer na cidade.
“Já fiscalizamos antes e continuaram fazendo a mesma coisa. Agora vamos agir com mais rigor. A população não pode correr risco ao comprar comida.”
A operação acende um alerta para consumidores e comerciantes: alimento estragado não é descuido — é crime e pode custar vidas.
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