Pesquisa sem registro no TSE aponta Flávio Bolsonaro à frente de Lula no 2º turno


Uma pesquisa de intenção de voto que mostra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um possível segundo turno das eleições presidenciais de 2026 foi divulgada nas redes sociais nesta semana — sem o devido registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), conforme exige a legislação eleitoral brasileira.

O relatório foi publicado pela consultoria Áltica Research, empresa com sede no México, em seu perfil na rede social X (antigo Twitter). Segundo os números exibidos, Flávio Bolsonaro apareceria com 48% das intenções de voto, contra 47% para Lula, com margem de erro de 2,8 pontos percentuais.

Divulgação irregular e regras eleitorais

Pela legislação eleitoral vigente, todas as pesquisas de opinião relativas a disputas eleitorais devem ser registradas previamente junto ao TSE antes de serem tornadas públicas. A divulgação sem registro pode resultar em multas que variam entre R$ 53.205 e R$ 106.410 para os responsáveis.

O TSE ainda não se pronunciou oficialmente sobre as medidas que serão adotadas em relação à divulgação irregular da sondagem. A Corte informou, em resposta à imprensa, que mantém previstas audiências públicas para discutir a revisão das normas que orientarão as eleições de 2026.

Críticas de especialistas

Especialistas em metodologia de pesquisa e direito eleitoral ouvidos por veículos de imprensa afirmam que levantamentos publicados de forma irregular podem influenciar a cobertura jornalística e a percepção de eleitores e financiadores de campanha. Segundo o professor de direito eleitoral Fernando Neisser, da FGV-SP, isso pode contaminar o debate público em um ano eleitoral.

A consultoria Áltica Research, responsável pelo levantamento, afirmou que o estudo foi realizado e financiado de forma independente, mas não comentou formalmente a ausência de registro no TSE nem a divulgação do resultado.

Contexto das pesquisas eleitorais

Estudos eleitorais tradicionais, registrados e divulgados por institutos reconhecidos no Brasil, indicam normalmente o atual presidente Lula com vantagem ou em empate técnico com adversários, incluindo o próprio Flávio Bolsonaro em cenários de segundo turno — mas sempre com metodologia auditada e registros formais junto à Justiça Eleitoral.

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