Por Romário Faria, senador da República
Bruno de Freitas tinha 23 anos quando sofreu uma lesão grave na medula após um acidente de trânsito. O diagnóstico de tetraplegia parecia irreversível até ele iniciar um tratamento experimental com a polilaminina, desenvolvida por pesquisadores da UFRJ. A aplicação do medicamento foi feita em menos de 24 horas após a perda dos movimentos, e o resultado dessa história é extraordinário. Bruno voltou a andar e hoje leva uma vida normal, sem sequelas da lesão que sofreu.
No início deste ano, a queda de um prédio durante o trabalho deixou o vidraceiro Diogo Barros sem os movimentos da cintura para baixo. Em 72 horas, ele recebeu uma única injeção de polilaminina e voltou a mexer os pés. Uma emoção que, para quem é leigo, pode parecer simples, mas que carrega o valor imensurável de uma nova vida. Bruno e Diogo têm histórias diferentes, trajetórias diferentes, mas tiveram a mesma oportunidade de recomeçar, graças à ciência brasileira, mais especificamente ao trabalho de pesquisadores do Rio de Janeiro.
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Ao ouvir esses relatos e conversar com a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, que lidera a equipe da UFRJ, fica claro que o que está sendo feito ali não é fruto de improviso nem de entusiasmo vazio. São mais de 20 anos dedicados a essa pesquisa. É ciência construída com seriedade, dedicação e responsabilidade, conduzida por especialistas que conhecem os limites do que estão fazendo, mas também compreendem a dimensão do passo que estão dando. Os dados iniciais mostram melhora neurológica em 75% dos pacientes em tratamento.
Estamos falando de uma descoberta pioneira no Brasil e no mundo. Uma pesquisa que coloca o país, e especialmente o Rio de Janeiro, na linha de frente de uma nova fronteira científica no enfrentamento das lesões medulares. É motivo de reconhecimento internacional e de profundo respeito ao trabalho de nossos pesquisadores. Casos como os de Bruno e Diogo simbolizam a abertura de um caminho que até pouco tempo simplesmente não existia. Um trabalho que valoriza a universidade pública, revela o talento da ciência brasileira e projeta o país para o futuro. O que antes era considerado impossível agora se traduz em esperança concreta.
Mas nenhum avanço dessa dimensão se sustenta sozinho. O poder público precisa acompanhar o ritmo da ciência. É necessário unir esforços, do Legislativo, do governo federal e do governo estadual, para que o Rio de Janeiro possa oferecer aos pacientes que já participam da pesquisa, e aos muitos que ainda poderão se beneficiar dessa descoberta, um Centro Público de Reabilitação Neurológica, integrado ao SUS, com capacidade para tratamento intensivo, internação e acompanhamento multidisciplinar prolongado. Essa etapa é decisiva para consolidar os avanços conquistados com o medicamento. A fisioterapia permite que pessoas como Bruno e Diogo reaprendam movimentos, fortaleçam o corpo, recuperem equilíbrio, confiança e autonomia plena.
Quando a ciência brasileira desafia o impossível, ela não está apenas avançando fronteiras do conhecimento. Ela está devolvendo esperança a pessoas reais, com histórias, famílias e sonhos interrompidos por lesões medulares que, até bem pouco tempo, eram irreversíveis. O que nasce hoje nos laboratórios da UFRJ mostra que o futuro pode ser diferente e que cabe ao poder público garantir que essa esperança não fique restrita a poucos, mas chegue a todos que dela possam se beneficiar.