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SENA MADUREIRA

Santa Juliana e a Escola Guttemberg: Por que a indignação não é a mesma em Sena Madureira?

Por Redação 18/01/2026 08:23 Atualizado em 18/01/2026 08:59
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A mobilização em torno da Escola Gutemberg Modesto da Costa— com pais, vereadores, audiência pública, debates acalorados e cobrança por respostas — mostra uma força importante. Educação mexe com o coração das famílias, com a rotina, com o futuro.

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Mas, no meio dessa energia toda, há uma pergunta que incomoda: onde está essa mesma mobilização quando o assunto é a nossa história desabando a céu aberto?

O Instituto Santa Juliana, fundado em 1922 e reconhecido como patrimônio histórico-cultural do Acre, é descrito por diferentes reportagens como um prédio deteriorado há anos, com danos estruturais, avanço da vegetação e sinais claros de abandono. Ao lado, o museu que integra esse conjunto histórico também foi retratado como fechado e em condição de degradação, vivendo a mesma lógica: tempo passando, paredes cedendo, memória virando entulho.

E aqui não se trata de comparar dores para diminuir nenhuma. A questão é outra: Por que um tema consegue mobilizar a cidade inteira — e outro, igualmente grave, vira paisagem?

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Patrimônio não grita, mas cai

Há um componente humano nessa indiferença: prédio histórico não “grita” como uma polêmica escolar grita. Ele não manda bilhete na mochila, não chora no portão, não vira ameaça imediata ao dia a dia. Só que ele cai. E quando cai, cai de uma vez — e não volta.

O Santa Juliana não é “um prédio velho”. É um símbolo de gerações. É parte da identidade de Sena Madureira. E exatamente por isso, o abandono não é um problema “de alguém”: não é só da Diocese, nem só do Estado, nem só da Prefeitura, nem só da Fundação Elias Mansour — é um problema público, coletivo, que precisa de solução compartilhada e transparente.

Nos últimos meses, o debate reapareceu com força: há relatos de que a Diocese declarou não ter condições de restaurar e fala em negociação de transferência, enquanto o Estado — via FEM — anunciou investimento para recuperar o museu, com discussões sobre propriedade e responsabilidade do terreno. Esse “empurra-empurra” é comum em bens históricos: todo mundo reconhece a importância, mas a obra não anda.

E o Ministério Público, onde entra?

Quando a polêmica é escolar, a sociedade lembra do MP. E cobra, e pede intervenção, e quer fiscalização. No caso do Santa Juliana e do museu, a pergunta é legítima: por que a mesma pressão não apareceu com a mesma intensidade? Quem denunciou formalmente? Quem protocolou representação? Quem pediu vistoria técnica e plano emergencial?

Não é “torcer contra” ninguém. É cobrar isonomia: se há mobilização para uma pauta, deve haver para outra quando o risco é tão concreto quanto — o risco de perder um patrimônio tombado, algo que pertence à história do município e do Acre.

Se a cidade quer amadurecer, precisa aprender a defender duas coisas ao mesmo tempo: o presente (educação funcionando) e a memória (patrimônio preservado). Não dá para escolher um e abandonar o outro.

Talvez a pergunta mais dura seja essa: Onde estão os mesmos pais, as mesmas autoridades, os mesmos indignados — quando o assunto é o Santa Juliana e o museu? Se o medo é de “prejudicar as crianças”, pensemos também no prejuízo silencioso de crescer numa cidade que deixa sua história apodrecer sem reação.

O editorial não é um julgamento. É um convite. Um chamado para que a cidade cobre, com a mesma energia que cobra matrícula, transporte e escola, um caminho objetivo para o Santa Juliana e para o museu: plano, prazos, responsáveis, orçamento, segurança do local e transparência de cada etapa.

Porque, no fim, a pergunta que fica é simples — e urgente:

vamos esperar cair para lamentar?

Por Sorriso Show
Jornalista e Radialista

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