Mesmo com sensação térmica em torno de –15 °C, centenas de pessoas foram às ruas de Nova Iorque nesta terça-feira (20) para protestar contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e exigir o seu impeachment. O ato aconteceu em frente à Trump Tower, em Manhattan, no mesmo dia em que se completou um ano do segundo mandato do republicano na Casa Branca.
Com cartazes e palavras de ordem, os manifestantes denunciaram o que chamam de “ameaça fascista crescente” no país. Entre as mensagens exibidas na Quinta Avenida estavam frases como “Impeachment já”, “Trump é diabólico”, “Abolição do ICE agora”, “Estamos com os aliados da OTAN” e “A Groenlândia é dos groenlandeses”.
Os temas levantados no protesto refletem um ano marcado por decisões polêmicas do governo Trump, tanto na política interna quanto na externa. Os participantes criticaram o endurecimento das ações contra imigrantes, o recuo em direitos civis e a tentativa de anexação da Groenlândia, que gerou tensão com aliados internacionais.
Entre os manifestantes estava May, de 84 anos, que afirmou estar profundamente preocupada com os rumos do país. “Estou horrorizada com as monstruosidades que esse presidente tem feito. Tenho medo do futuro dos meus netos”, disse. Segundo ela, o retorno de Trump ao poder representa um retrocesso de décadas. “Houve um recuo de 50 anos nos direitos civis, além do tratamento humilhante dado aos imigrantes, que sempre contribuíram para os Estados Unidos”, completou.
Mesmo com o frio extremo, os protestos duraram cerca de uma hora. Marge, de 82 anos, também fez questão de participar. “Está congelante, mas eu precisava estar aqui. O que estão fazendo com os imigrantes é desumano”, afirmou, criticando ainda a postura do governo em relação à Groenlândia. “Essa decisão virou as costas para nossos aliados.”
Já Tom, de 30 anos, disse que, mesmo após o primeiro mandato de Trump, ainda conseguiu se surpreender negativamente. “Achei que nada mais me chocaria, mas essa investida contra a Groenlândia foi além do esperado”, declarou, classificando o atual momento como de avanço do autoritarismo no país.
Trump admite falhas na comunicação do governo
No mesmo dia dos protestos, Donald Trump concedeu uma longa coletiva de imprensa na Casa Branca para fazer um balanço do primeiro ano do segundo mandato. Durante a fala, o presidente admitiu dificuldades em comunicar suas ações à população.
“Talvez a minha equipe de comunicação não esteja fazendo um bom trabalho. Não estamos conseguindo passar a mensagem”, disse Trump, ao comentar que, segundo ele, indicadores econômicos como a inflação teriam melhorado desde que reassumiu o cargo.
O presidente afirmou que herdou uma situação econômica “confusa” e destacou como conquistas a redução da inflação, a expectativa de crescimento do PIB acima de 5% e os efeitos das tarifas impostas a outros países. Para Trump, essas medidas teriam reduzido o déficit comercial e incentivado empresas estrangeiras a investir em fábricas nos Estados Unidos.
Durante a coletiva, ele voltou a atacar o antecessor Joe Biden, chamando-o de “o pior presidente da história em matéria de imigração”, e defendeu as ações do ICE, apesar das críticas e protestos em cidades como Minneapolis. Trump também ameaçou cortar recursos federais de cidades-santuário que se recusarem a colaborar com as autoridades de imigração.
Ao completar um ano do segundo mandato, Trump, que voltou à presidência em 20 de janeiro de 2025, segue enfrentando forte resistência nas ruas e um cenário político marcado por divisões profundas na sociedade norte-americana.