A morte de Valentino Garavani não marca apenas o fim da vida de um estilista. Marca o fim de uma era inteira da moda — uma era em que elegância, glamour e beleza eram valores inegociáveis.
Valentino foi um dos últimos criadores a realizar algo raríssimo: transformar o próprio nome em sinônimo de luxo. Assim como Chanel, ele não criou apenas uma marca — criou uma identidade. Quando se diz “Valentino”, não se fala de uma empresa. Fala-se de um homem, de uma visão e de um ideal de beleza.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Estilista italiano Valentino Garavani faleceu aos 93 anosCrédito: Reprodução Instagram @realmrvalentino Estilista italiano Valentino Garavani faleceu aos 93 anosCrédito: Reprodução Instagram @fondazionevggg Estilista italiano Valentino Garavani faleceu aos 93 anosCrédito: Reprodução Instagram @fondazionevggg Valentino e a atriz Anne HathawayCrédito: Reprodução Instagram @realmrvalentino Estilista italiano Valentino Garavani faleceu aos 93 anosCréditos: Reprodução Instagram @realmrvalentino | Snowdon/Camera Press, London
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Ele próprio tinha uma frase polêmica, mas absolutamente reveladora da sua estética:
“Nenhum homem gostaria de sair com uma mulher que parece um homem.”
Mais do que uma provocação, essa frase traduzia uma convicção profunda: para Valentino, a mulher não precisava apagar sua feminilidade para parecer forte. Pelo contrário. Ele acreditava que feminilidade é poder. Que elegância é presença. Que beleza é uma forma de autoridade silenciosa.
Essa filosofia atravessou toda a sua obra.
Valentino não criou apenas vestidos. Ele criou símbolos eternos.
O mais famoso deles é, sem dúvida, o vermelho Valentino — uma cor que deixou de ser apenas um tom para se tornar identidade. Para ele, o vermelho representava paixão, presença, força e sedução. Quando alguém diz “vermelho Valentino”, o mundo da moda sabe exatamente do que está falando. Poucos criadores conseguiram transformar uma cor em assinatura.
Outro feito raro foi transformar uma inicial em ícone. O V de Valentino virou selo de elegância, código de reconhecimento, símbolo de status — assim como o C da Chanel ou o LV da Louis Vuitton. Não é apenas um logo. É um emblema de uma ideia de luxo.
Mesmo no universo dos acessórios, Valentino deixou sua marca de forma definitiva. As bolsas com spikes Rockstud provaram que o luxo também pode ser forte, moderno e desejável. Ele pegou um detalhe quase punk — a tacha — e transformou em um dos códigos visuais mais reconhecíveis da moda contemporânea.
Mas Valentino nunca quis que sua moda fosse apenas vista. Ele quis que ela fosse sentida. Por isso, quando lança seu primeiro perfume, ele não cria apenas uma fragrância. Cria uma assinatura sensorial. Assim como o vermelho virou identidade visual, o perfume virou identidade invisível — presença, memória, rastro.
As flores, os laços, os drapeados e os volumes não eram decoração. Eram linguagem. Para Valentino, a mulher era uma obra de arte em movimento. Suas criações sempre tiveram algo de escultura, de arquitetura, de museu. Não é coincidência que muitos de seus vestidos hoje pareçam — e sejam — peças de acervo histórico.
Valentino vestiu rainhas, primeiras-damas, atrizes, mulheres que marcaram época. Mas, mais do que isso, ele vestiu um ideal de beleza que atravessou gerações.
Em um mundo que, aos poucos, foi ficando mais rápido, mais agressivo e mais descartável, Valentino continuou defendendo o luxo da permanência. A elegância da delicadeza. A força do belo.
Valentino não foi apenas um estilista.
Foi um capítulo inteiro da história da elegância.
E com a sua morte, a moda não perde só um homem.
Perde uma era inteira do glamour.
E fica, inevitavelmente, um pouco menos eterna.