Will Bank tem atividades interrompidas após decisão do Banco Central

Aplicativo do Will Bank — Foto: Will Bank/Divulgação

O Banco Central (BC) decretou, nesta quarta-feira (21), a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, conhecida como Will Bank. A medida interrompe definitivamente as atividades da instituição, que integra o conglomerado financeiro do Banco Master, liquidado no fim de 2025.

Criado com foco na inclusão financeira, o Will Bank atuava como banco digital voltado principalmente a clientes de renda média e baixa, muitos deles com pouco acesso ao sistema financeiro tradicional. A instituição construiu uma base concentrada no Nordeste, região que reunia cerca de 60% de seus usuários, em grande parte moradores de cidades de pequeno porte. Em materiais institucionais, o banco afirmava ter alcançado aproximadamente 12 milhões de clientes.

Desde a liquidação do Banco Master, em novembro do ano passado, o Will Bank operava sob o Regime Especial de Administração Temporária (RAET), mecanismo por meio do qual o Banco Central assume, de forma provisória, o controle da instituição para evitar o agravamento da crise e prejuízos maiores aos clientes e ao sistema financeiro.

Em nota, o BC informou que a decisão foi motivada pelo “comprometimento da situação econômico-financeira” da instituição, pela sua insolvência e pela incapacidade de honrar compromissos, situação diretamente relacionada ao vínculo de controle exercido pelo Banco Master.

De acordo com apurações, a liquidação não havia sido decretada anteriormente porque o Banco Central ainda avaliava a possibilidade de venda do Will Bank a um investidor estrangeiro, de origem árabe, que demonstrou interesse na aquisição. As negociações, no entanto, não avançaram.

A situação se agravou nos últimos dias. Na segunda-feira (19), a Mastercard informou que a Will Financeira deixou de cumprir obrigações financeiras. No dia seguinte, a empresa anunciou a suspensão da aceitação de cartões emitidos pelo Will Bank, em razão do inadimplemento.

Sem a concretização da venda e diante do acúmulo de dívidas, o Banco Central concluiu que não havia alternativas viáveis para a reestruturação da instituição, tornando inevitável a liquidação extrajudicial.

Com a medida, caberá ao Fundo Garantidor de Crédito (FGC) ressarcir os credores prejudicados. A estimativa é de que a liquidação do Will Bank gere um custo aproximado de R$ 5 bilhões ao fundo. O FGC indeniza valores investidos acrescidos de rendimentos até a data da liquidação, respeitado o limite de R$ 250 mil por credor.

Caso Banco Master

O Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro, foi liquidado pelo Banco Central em 18 de dezembro de 2025, após enfrentar graves dificuldades financeiras, alto custo de captação e forte exposição a investimentos considerados de risco. Tentativas de venda, como uma proposta do BRB, não avançaram diante de questionamentos de órgãos de controle e falta de transparência.

Segundo apuração da TV Globo, Maurício Antônio Quadrado, ligado ao Will Bank, foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, deflagrada na última quarta-feira (14). De acordo com fontes da Polícia Federal, ele seria sócio oculto de Daniel Vorcaro.

Em nota oficial, o Banco Central afirmou que continuará adotando todas as medidas cabíveis para apurar responsabilidades, podendo aplicar sanções administrativas e encaminhar informações às autoridades competentes. Conforme prevê a legislação, os bens dos controladores e ex-administradores da instituição liquidada ficam indisponíveis.

O que diz o BC?

 

Veja a nota do Banco Central sobre a liquidação na íntegra:

“​O Banco Central decretou hoje, 21 de janeiro de 2026, a liquidação extrajudicial da Will Financeira S.A. Crédito, Financiamento e Investimento, controlada pelo Banco Master Múltiplo S/A, o qual vem operando sob Regime Especial de Administração Temporária (RAET) no contexto da liquidação extrajudicial do Banco Master S/A, decretada em 18 de novembro de 2025.

O Conglomerado Master era classificado como de crédito diversificado, porte pequeno e enquadrado no segmento S3 da regulação prudencial, tendo como instituição líder o Banco Master S/A.

O conglomerado detinha 0,57% do ativo total e 0,55% das captações totais do Sistema Financeiro Nacional (SFN).

Na ocasião da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master, entendeu-se adequada e aderente ao interesse público a imposição do RAET ao Master Múltiplo S/A, ante a possibilidade de uma solução que preservasse o funcionamento de sua controlada Will Financeira. Tal solução, contudo, não se mostrou viável, verificando-se no dia 19 de janeiro de 2026 o descumprimento pela Will Financeira da grade de pagamentos com o arranjo de pagamentos Mastercard (Mastercard Brasil Soluções de Pagamentos Ltda.) e o consequente bloqueio de sua participação nesse arranjo.

Assim, tornou-se inevitável a liquidação extrajudicial da Will Financeira, em razão do comprometimento da sua situação econômico-financeira, da sua insolvência e do vínculo evidenciado pelo exercício do poder de controle do Banco Master S.A., já sob liquidação extrajudicial.

O Banco Central continuará tomando todas as medidas cabíveis para apurar as responsabilidades nos termos de suas competências legais. O resultado das apurações poderá levar à aplicação de medidas sancionadoras de caráter administrativo e a comunicações às autoridades competentes, observadas as disposições legais aplicáveis. Nos termos da lei, ficam indisponíveis os bens dos controladores e dos ex-administradores da instituição objeto da liquidação decretada.”

O que diz a Mastercard

Veja a nota:

“Como parte de suas atividades de gestão de risco enquanto arranjo de pagamentos regulado, a Mastercard mantém diferentes tipos de garantias de seus participantes, que podem incluir ativos como ações. Essas garantias têm como finalidade exclusiva assegurar o cumprimento de obrigações de pagamento por parte dos emissores em caso de inadimplemento.”

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