O mecânico Marcio José dos Santos, de 29 anos, morador de Tarauacá, protagonizou um gesto de honestidade ao devolver R$ 10.474,28 que recebeu por engano via PIX. Mesmo enfrentando dificuldades financeiras e sendo pai de três filhos, ele decidiu procurar as autoridades e restituir o valor à empresa responsável pela transferência.
O dinheiro foi enviado em duas operações: R$ 4.366,35 na sexta-feira (20) e R$ 6.108,70 na terça-feira (24), totalizando mais de R$ 10 mil. As transferências partiram de uma construtora com sede em Mâncio Lima. Ao perceber o valor inesperado na conta, Marcio estranhou a movimentação e entrou em contato com familiares para saber se alguém havia feito o depósito.
Sem identificar a origem, ele passou a suspeitar de possível golpe. Orientado pela irmã, que mora em Rio Branco, buscou informações sobre a empresa e decidiu registrar um boletim de ocorrência na delegacia do município.
A construtora tentou inicialmente localizar outro homem com o mesmo nome, que já havia trabalhado no local. Foi esse xará quem intermediou o contato entre o mecânico e o proprietário da empresa.
O dono do estabelecimento entrou em contato enquanto Marcio ainda estava na delegacia. Segundo o mecânico, o empresário demonstrou alívio ao saber que o valor seria devolvido e agradeceu pela atitude.
Marcio contou que, no fim do ano passado, também encontrou uma carteira com dinheiro e documentos no Centro de Tarauacá e fez questão de localizar o dono para devolver.
Conhecido agora na cidade como “o homem dos R$ 10 mil”, ele afirma que a decisão foi baseada nos valores ensinados pelos pais. “A gente não pode pegar o que é dos outros”, resumiu.
O que fazer em caso de PIX enviado ou recebido por engano?
De acordo com o Banco Central do Brasil, o cancelamento de um PIX só é possível antes da confirmação da operação, já que a liquidação ocorre em tempo real. Após a conclusão, é necessário entrar em contato com quem recebeu o valor para negociar a devolução.
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) orienta que quem recebe um PIX por engano deve devolver o valor ao remetente. A apropriação indevida pode gerar responsabilização judicial.
Especialistas destacam que reter valores recebidos por erro pode configurar crime de apropriação indébita, conforme previsto no Código Penal Brasileiro.