O confronto entre Botafogo e Flamengo pelas quartas de final do Campeonato Carioca está marcado para domingo (15/2), mas declarações do presidente rubro-negro Luiz Eduardo Baptista movimentaram o ambiente fora de campo nos dias que antecedem o clássico. Em entrevista ao jornal espanhol “AS”, o dirigente fez críticas à condução da SAF do Botafogo, especialmente no âmbito financeiro, ao comentar o modelo das Sociedades Anônimas de Futebol no Brasil.
“O que não pode acontecer é o que estamos vendo com um clube centenário como o Botafogo. Você cria uma SAF, permite que alguém compre o clube, e ele acaba ficando pior do que estava. O Botafogo devia, acredito eu, 100 milhões de euros. Alguém compra o clube. Foram campeões do Brasileirão e da Libertadores em 2024. Recebem milhões, não pagam nada a ninguém e ainda aumentam a dívida anterior. É preciso haver regulação”, disse Bap.
Veja as fotosAbrir em tela cheia Bap discursou no palco do evento sobre a temporada multicampeã do Flamengo.Staff Images/CBF Luiz Eduardo Baptista, o Bap, presidente do Flamengo em reunião do Conselho Deliberativo do clubeReprodução/Mariana Sá/Flamengo BAP, novo presidente do Flamengo (Divulgação)
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Na mesma entrevista, o presidente do Flamengo questionou a destinação de recursos e defendeu sanções em casos de descumprimento de obrigações.
“Se alguém chega com muito dinheiro e usa esse dinheiro apenas para contratar jogadores, sem cumprir nenhuma de suas obrigações, qual é o propósito? Houve uma distorção do conceito de SAF. O Flamengo é contra esse tipo de situação sem que haja punição. Tem que haver punição esportiva, tem que haver perda de pontos. Você comprou o clube com uma dívida de 80 milhões, assumiu que iria quitá-la, aumenta a dívida para 160 milhões, não paga ninguém e não sofre nenhuma punição esportiva ou financeira. Isso está errado”, completou.
As declarações ocorreram após questionamento sobre o funcionamento das SAFs no país. Ao abordar o tema, Bap afirmou que não é contrário ao modelo em si, mas defendeu que ele siga princípios de responsabilidade financeira.
“Essa é uma excelente pergunta. Não tenho absolutamente nada contra as SAFs (Sociedades Anônimas de Futebol). Nada. O que eu acredito é o seguinte: qual é o princípio por trás de uma SAF? Você tem um clube de futebol que não consegue administrar suas dívidas, um clube que está falido do ponto de vista da gestão, e alguém decide assumir o controle. Essa pessoa assume as dívidas e faz novos investimentos. Esse é o princípio. Sou totalmente a favor disso. Nenhum problema. O Flamengo nunca será uma SAF. O Flamengo é como o Real Madrid; não precisa se tornar uma SAF”, contextualizou.
Botafogo e Flamengo se enfrentam no domingo (15), em duelo válido pelas quartas de final do Campeonato Carioca.