A recepção morna — e em alguns momentos confusa — dos primeiros capítulos de “Dona Beja” não foi só impressão do público. Teve bastidor demais vazando para a tela. Depois da análise publicada pela coluna, apontando problemas de ritmo, cenas que não conversavam entre si e uma edição truncada, muita gente correu para as redes sociais para dizer basicamente a mesma coisa: a novela parecia “quebrada”, como se faltasse cola entre as sequências.
E agora dá para entender o porquê. A coluna apurou que o início da produção foi marcado por uma crise interna pesada envolvendo o então diretor Hugo de Souza e parte do elenco. O clima nos bastidores estava longe de ser harmonioso e isso acabou passando para as telas.
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Segundo fontes ouvidas pela coluna, havia desgaste constante, divergências de condução artística e dificuldade de comunicação no set. Resultado: gravações tensas, mudanças de última hora, cenas refeitas e uma pós-produção correndo para “costurar” material que nem sempre conversava dramaticamente.
Na prática, isso explica a sensação que o telespectador teve em casa: núcleos que pareciam desconectados, cortes bruscos e episódios sem fluidez. Com o ambiente contaminado, a direção acabou impactando diretamente o produto final — algo que raramente acontece de forma tão perceptível numa superprodução.
Diante do desgaste, a emissora decidiu agir. O diretor foi afastado e a novela passou por uma troca de comando ainda nas primeiras semanas de gravação. Quem assumiu foi um novo diretor, Thiago Teitelroit — filho de Luiz Henrique Rios, atualmente à frente de “Três Graças —, alguém visto internamente como mais agregador e com perfil de escuta do elenco.
A mudança de clima foi imediata, segundo relatos. Com o set mais leve, as gravações ganharam ritmo, as cenas passaram a ser pensadas com mais continuidade dramática e a edição deixou de operar no modo “apagar incêndio”.
As mesmas fontes garantem: a novela engrena. Os capítulos mais adiante apresentam narrativa mais linear, conflitos mais claros e uma estética mais uniforme. Ou seja, aquela sensação de “cada cena é de uma novela diferente” tende a desaparecer. É o tipo de virada que o público talvez nem perceba tecnicamente — mas sente.
No fim das contas, “Dona Beja” virou um exemplo clássico de como bastidor conturbado respinga diretamente na tela. E de como uma troca de comando, às vezes, é o que salva uma produção. Se depender do que a coluna ouviu, a curva agora é de crescimento neste sentido.