Caso dos jogadores do Vasco-AC suspeitos de estupro coletivo: veja o que já se sabe sobre a investigação

Foto: Jhon Lennon e Sueli Rodrigues

A Polícia Civil do Acre investiga uma denúncia de estupro envolvendo quatro atletas da Associação Desportiva Vasco da Gama-AC. O caso teria ocorrido na madrugada do dia 13 de fevereiro, dentro do alojamento do clube, em Rio Branco. Todos os jogadores estão presos.

A apuração está sob responsabilidade da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

O que aconteceu

Segundo a Polícia Civil, duas mulheres denunciaram terem sido vítimas de estupro dentro do alojamento. O registro foi feito no sábado (14), um dia após o suposto crime. Antes de prestarem depoimento formal, as vítimas foram encaminhadas para atendimento médico na Maternidade Bárbara Heliodora.

De acordo com os relatos, as mulheres afirmaram que foram ao local para um encontro consensual, mas que, em determinado momento, teriam sido submetidas a atos sem consentimento.

O crime de estupro é de ação penal pública incondicionada, ou seja, a investigação não depende de representação formal das vítimas para prosseguir.

Quem são os investigados e situação das prisões

São investigados Erick Luiz Serpa Santos Oliveira, Matheus Silva, Brian Peixoto Henrique Iliziario e Alex Pires Júnior, conhecido como Lekinho.

Erick Serpa foi preso em flagrante no sábado (14) e teve a prisão convertida em preventiva após audiência de custódia no domingo (15).

Já Matheus Silva, Brian Peixoto e Alex Pires tiveram prisão temporária decretada pela Justiça e se apresentaram à polícia na terça-feira (17). A prisão temporária foi mantida e pode durar até 40 dias. Eles devem permanecer no Complexo Prisional Francisco d’Oliveira Conde.

O que dizem as defesas

Os advogados dos atletas afirmam que as relações foram consensuais e contestam a versão apresentada pelas denunciantes. A defesa informou que pretende ingressar com pedido de habeas corpus para tentar reverter as prisões temporárias.

Os jogadores também declararam que são inocentes e que estão à disposição da Justiça para esclarecimentos.

Posicionamento do clube

Foto: Gustavo Almeida/Rede Amazônica Acre

Em nota, o Vasco-AC informou que não compactua com qualquer tipo de violência e que tomará as medidas internas cabíveis conforme o avanço das investigações.

O técnico da equipe declarou confiar na Justiça e afirmou que, se houver culpa comprovada, os jogadores deverão responder pelos atos. Ele também disse que é proibida a entrada de mulheres no alojamento.

Repercussão das declarações

Após entrevistas do treinador em programas locais, a Secretaria de Estado da Mulher divulgou nota de repúdio. O órgão ressaltou que o consentimento pode ser retirado a qualquer momento e que qualquer ato sexual sem consentimento configura estupro.

A secretária Márdhia El-Shawwa afirmou que colocar em dúvida o trabalho da Deam desqualifica a atuação técnica da polícia e contribui para a culpabilização das vítimas.

Clima no alojamento

Segundo o treinador, familiares de atletas que vieram de outros estados, especialmente do Rio de Janeiro, estão preocupados com a repercussão do caso. Ele afirmou que mais de 20 jogadores vivem no alojamento e que o ambiente tem sido de tensão desde o início das investigações.

O inquérito segue em andamento e a Polícia Civil ainda deve ouvir novas testemunhas e concluir a análise das provas.

Informações via G1 Acre.
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