Caso Orelha: notícias falsas levaram gente inocente para o tribunal da internet

Caso Orelha: notícias falsas levaram gente inocente para o tribunal da internet

A equipe do portal LeoDias teve acesso, com exclusividade, à informações importantes do inquérito policial que tramita em Santa Catarina e investiga uma onda de violência e maus tratos contra animais comunitários na região, com foco na morte do cão Orelha. No mesmo processo, a polícia também tenta identificar quem são os jovens flagrados cometendo vandalismo contra o patrimônio, entre outras acusações Logo no início da repercussão do caso, inclusive, dois jovens inocentes foram julgados na internet como culpados, mesmo sem provas, mas depois felizmente conseguiram provar sua inocência.

A jornalista Patrícia Calderón teve acesso a depoimentos importantes da investigação, além de entrevistas exclusivas levadas ao ar na semana passada, que colocam P.K., de 15 anos, e Maria Eduarda Zampieri Savoldi de 22, fora dos processos criminais instaurados. Os jovens sofreram ataques violentos na internet, com perseguições e ameaças de morte, por conta de confusão em sobrenome e um possível falso testemunho, que pode ter colocado P.K na cena de vandalismo a uma barraca de praia.

Em conversa com os familiares, além de fontes na polícia, apuramos que Maria Eduarda não reside em Florianópolis, e sim a 480km de distância da capital. Além disso, ela não possui parentesco e não conhece as pessoas investigadas, e o sobrenome “Zampieri” foi relacionado de forma equivocada com um dos suspeitos.

“Você não imagina o que é ver uma filha sendo amaçada, atacada, ofendida, simplesmente por ter, coincidentemente, o mesmo sobrenome de um dos meninos suspeitos “, desabafou a mãe dela

Já o adolescente P.K. não foi flagrado em nenhuma foto, vídeo ou gravação parecida, o que já foi confirmado pela polícia. A família relata que um possível falso testemunho, pode ter trazido as consequências graves à família, como as ameaças.

“Meu filho não tem nada a ver com essa história. É muito sofrimento ver uma pessoa inocente sendo julgada pelo tribunal da internet”, conta a outra mãe.

A polícia confirmou à nossa reportagem que o menor P.K não é mais investigado pelos crimes de vandalismo e maus tratos na Praia Brava entre dezembro e janeiro deste ano. A justiça já deu um despacho favorável, de que não há nada que ligue a autoria dos casos a ele.

Caso Orelha
O cachorro foi atacado na madrugada do dia 4 de janeiro. Laudos da Polícia Científica apontam que Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, que pode ter sido por um chute ou algum objeto rígido, como uma barra de ferro ou um pedaço de madeira. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu em uma clínica veterinária, 24 horas depois de sofrer o ataque.

Caso Caramelo
No último dia 6 de janeiro, um dia após a morte de Orelha, por volta de 00h20, um grupo de adolescentes foi vistos importunando um cão caramelo na praia, de nome homônimo foi flagrado por câmeras de segurança da região. Nas imagens, as quais o portal LeoDias noticiou com exclusividade, é possível ver alguns meninos jogando o cão para dentro do condomínio Itacoatiara duas vezes.

Os porteiros tiveram que retirar o animal de dentro do local. Segundo a polícia, os adolescentes permaneceram na praia, em frente ao condomínio, fazendo uso de bebidas alcoólicas e entorpecentes. Nesta mesma noite, segundo a investigação, o cachorro teria sofrido uma tentativa de afogamento por poarte dos jovens.

A polícia já ouviu quatro adolescentes apontados por maus tratos a animais, vandalismo, dano ao patrimônio e desrespeito ao sossego alheio. Ainda esta semana, outros cinco jovens – sendo o mais novo deles um menino de 14 anos, V.M.P – devem ser ouvidos como suspeitos no incidente envolvendo o cão Caramelo e a morte de Orelha. Além, claro, os crimes de vandalismo a uma barraca de praia, desrespeito ao sossego alheio, furto e brigas constantes com porteiros da região tambḿ serão investigados.

O MP devolveu o inquérito, na semana passada, para as mãos da Polícia Civil para tratar “inconsistências” de detalhes específicos como instrumentos usados, supostas cenas, ou versões gráficas. Para a liberação do laudo pericial, o corpo de Orelha não foi exumado. O MP não descarta essa possibilidade e deve bater o martelo em breve.

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